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Opinião Sábado, 06 de Janeiro de 2024, 06:41 - A | A

Sábado, 06 de Janeiro de 2024, 06h:41 - A | A

VANESSA LOUZADA

Por que você deve usar o storytelling na prática jurídica?

Vanessa Louzada*

Não é de hoje que uma boa argumentação analítica pode envolver as pessoas e encantar os interlocutores por meio de enredos elaborados e narrativas envolventes. Afinal, a arte de contar histórias, ou storytelling em inglês, faz parte das nossas vidas e da evolução da humanidade e há tempos vem sendo utilizada no mundo corporativo para conquistar e reter clientes.

No Direito, por exemplo, a argumentação analítica baseada em representações visuais de diferentes dados (visual law) está facilitando a comunicação e trazendo insights relevantes para a condução dos processos. Não à toa, este tem sido um tema cada vez mais explorado na academia e no mercado de trabalho, dada a sua aplicabilidade na prática jurídica e seu papel na promoção da advocacia 4.0.

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O que se observa no dia a dia dos escritórios de advocacia e departamentos jurídicos Brasil afora, é que o storytelling baseado em dados auxilia os profissionais em seus relatórios, reuniões de trabalho, palestras e outros canais de interação, tanto com o time interno quanto com os clientes. É uma técnica que contribui muito para o exercício da profissão, pois a partir da compreensão dos dados é possível contextualizar o enredo, analisar as possibilidades e apresentar soluções que atendam as necessidades dos clientes.

Destaco aqui que os dados que auxiliarão na construção da narrativa podem ser extraídos de gráficos, tabelas, mapas mentais e organogramas. E, no processo de filtragem e seleção das informações que irão compor a história, as soluções de tecnologia são grandes aliadas, pois transformam informações jurídicas em representações visuais.

Vale lembrar que a argumentação analítica baseada nesses dados facilita a legibilidade dos processos e gera um engajamento maior da equipe na busca por soluções. Por isso, a história deve ser estruturada de modo estratégico, indicando os pontos que precisam de melhoria e quais os principais caminhos a serem seguidos na gestão jurídica.

Penso que o mais importante é não se perder no meio da história, ou como se diz ‘não perder o fio da meada’. Obviamente que durante o processo de coleta e seleção dos dados, você vai se deparar com uma série de informações paralelas, por isso é fundamental manter o foco nas informações que realmente são relevantes e eliminar os dados não essenciais, buscando a resolução do problema e passando sempre pelo conhecimento do negócio de seu cliente.

Um bom storytelling de dados deve ser convincente, trazer credibilidade e criar uma conexão emocional com o interlocutor. Para isso, reforço aquilo que certamente você aprendeu na escola: toda história deve ter um início, um meio e um fim bem definidos.

E é claro que começar uma história requer uma boa contextualização e isso começa destacando os big numbers relacionados à demanda do cliente, para gerar uma consciência do cenário atual. É importante deixar claro os prós e os contras das informações extraídas, demonstrando os erros e acertos e de que forma os dados podem resolver as dores do cliente, afinal, contra dados não há argumentos. Por fim, com base nesses dados macros, podemos usar as informações extraídas dos processos jurídicos para identificar insights ocultos e prever as possibilidades, apresentando soluções para diferentes cenários futuros.

Além de auxiliar na prospecção e retenção dos clientes, o storytelling também tem sido aplicado em outras atividades rotineiras, ao redigir uma petição ou realizar uma sustentação oral, por exemplo. Porém, apesar de a narrativa ser uma das essências do Direito, nem sempre é uma preocupação no dia a dia dos profissionais.

Neste sentido, vale a reflexão sobre como o uso de storytelling pode de fato ser incorporado ao seu dia a dia, melhorando suas habilidades de comunicação e análise e convertendo informações em soluções que serão absorvidas por muito mais pessoas no dia a dia da empresa.

*Vanessa Louzada é advogada, CEO e cofundadora da Deep Legal, Lawtech especializada em inteligência artificial e gestão preditiva.

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