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Opinião Domingo, 11 de Fevereiro de 2024, 08:12 - A | A

Domingo, 11 de Fevereiro de 2024, 08h:12 - A | A

ACIR NOVACZYK

O que as mulheres precisam saber sobre histerectomias

Acir Novaczyk*

A histerectomia é uma cirurgia realizada em mulheres que consiste na remoção do útero, sendo uma das cirurgias mais realizadas no mundo.

O útero desempenha um papel central no sistema reprodutivo feminino abrigando, promovendo o desenvolvimento e protegendo o feto durante a gravidez.

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Embora a ideia de que o útero somente serve para a gravidez seja comum, este é um dos mitos mais difundidos em nosso meio. Na realidade, a sua principal função está mesmo relacionada à gestação; no entanto, o útero também desempenha um papel crucial no ciclo menstrual, na produção de secreções durante este período e no suporte estrutural da pelve. Muitas histerectomias são realizadas desnecessariamente, e, é por se tratar de uma cirurgia de grande porte, complicações podem ocorrer.

Entretanto, é crucial notar que, embora o útero desempenhe um papel significativo na vida da mulher, ele não é um órgão essencial para a sua sobrevivência. De maneira geral, quando removido, a mulher ainda pode levar uma vida totalmente saudável. Dependendo da causa da remoção, pode ocorrer um ganho de qualidade de vida. No entanto, é importante ressaltar que, após uma histerectomia, a mulher não será mais capaz de engravidar.

A decisão de realizar uma histerectomia geralmente é fundamentada em condições médicas específicas e é discutida entre a paciente e seu médico. Idealmente, ela é considerada após tentativas de tratamentos menos invasivos terem sido exploradas.

As principais indicações para uma histerectomia incluem condições benignas, como miomas, adenomiose e prolapsos, condições malignas a exemplo do câncer de colo ou endométrio. Além disso, a cirurgia pode ser considerada em casos de sangramentos uterinos anormais, doenças inflamatórias pélvicas graves, endometriose ou dores pélvicas limitantes.

Existem dois principais tipos de histerectomias: a total, que remove todo o útero, incluindo o colo, e a subtotal que remove apenas o corpo uterino preservando o colo. A remoção das trompas é geralmente realizada em conjunto com o útero, enquanto a decisão de remover os ovários é tomada em casos específicos.

As diferentes abordagens das histerectomias incluem

1- Abdominal: Nessa abordagem, o útero é removido através de uma incisão no abdômen, geralmente semelhante à incisão feita em uma cesárea. Esta é a forma mais comumente utilizada no Brasil. No entanto, apresenta a desvantagem de ter um período de recuperação mais longo e causar maior desconforto.

2- Vaginal: Nessa abordagem, a remoção é realizada pela vagina, sem incisões externas visíveis. Esta é considerada a opção mais estética, no entanto, devido à falta de visualização do interior do abdome, pode não permitir o diagnóstico de outras doenças e aderências.

3- Laparoscópica: Essa técnica utiliza pequenas incisões no abdômen e instrumentos cirúrgicos especializados. Permite a visualização de todos os órgãos internos, facilitando o diagnóstico e tratamento de outras doenças associadas. Apresenta uma recuperação mais rápida em comparação com a abordagem abdominal, mas pode ser desafiadora em casos de úteros muito volumosos.

4- Robótica: Essa é a abordagem mais moderna, assemelhando-se a laparoscopia, utiliza pequenas incisões e possibilita recuperação rápida. A cirurgia robótica emprega instrumentos altamente precisos e modernos, permitindo movimentos que a mão humana teria dificuldades em reproduzir, com altíssima precisão e delicadeza. Entretanto é importante mencionar que essa técnica tende a ter um custo mais elevado em comparação com as outras abordagens, e o tempo de cirurgia pode ser ligeiramente maior.

A histerectomia é uma decisão muito séria na vida da mulher, podendo ter implicações significativas na qualidade de vida, especialmente se houver complicações ou se a paciente ainda desejar ter filhos. É essencial discutir detalhadamente com o médico as opções disponíveis, os riscos e benefícios associados à indicação e a técnica a ser utilizada. O suporte emocional e informações claras são fundamentais para que a paciente compreenda plenamente as implicações e tome decisões informadas, obtendo os melhores resultados para a sua saúde e bem-estar.

*Dr. Acir Novaczyk é ginecologista com dedicação exclusiva à área de endoscopia ginecológica na Clínica Femina e Instituto Eladium

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