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Opinião Sexta-feira, 12 de Novembro de 2021, 06:00 - A | A

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EDITORIAL - 12/11/2021

O arrocho só aumenta

Da Editoria

Editoria | Estadão Mato Grosso

Completamente fora de controle, a inflação bateu mais um recorde em outubro, atingindo a maior taxa para um mês de outubro desde 2002, com 1,25%. A carestia afeta todos os itens da cesta básica de produtos, tornando a vida do brasileiro cada vez mais difícil, com um aumento de 8,24% nos preços desde janeiro deste ano. No agregado de 12 meses, a situação é ainda pior, acumulando alta de 10,67%. Curiosamente, é resultado da inflação de 2015, às vésperas da derrocada de Dilma Rousseff. Só que, infelizmente, ainda há espaço para piorar, principalmente com os constantes aumentos nos preços dos combustíveis.

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Não há como negar a amplitude do desastre econômico que estamos vivendo. Os sintomas são sentidos todas as vezes em que passamos no caixa dos supermercados, abastecemos no posto de gasolina ou no simples ato de pagar a conta de energia. O que muitos negam é a fonte dessa crise. Cegados pela paixão, preferem culpar até o ar que respiram em vez de aceitar que a principal fonte das pressões inflacionárias circula pelos corredores do Palácio do Planalto.

Tal qual um câncer em metástase, a pressão inflacionária agora se espalha em nossa economia. Se antes poderia ser resumida à avassaladora desvalorização do real frente ao dólar devido à instabilidade política, hoje o problema parece ter infiltrado nas entranhas da economia nacional, deflagrando novos e dolorosos sintomas a cada dia. Nem mesmo a triste terapia ministrada pelo Banco Central, com a escalada dos juros básicos, parece ser suficiente para arrefecer essa crise.

O que fica cada vez mais evidente é a incompetência do governo central para lidar com a evidente crise que atravessamos. Em vez de trazer soluções, criam toda sorte de vilões para culpar pelo desarranjo generalizado enquanto continuam a se vangloriar com as benesses do poder. A moda é culpar a Petrobras, uma empresa estatal que o governo tem poder de gerenciar, ou os adversários políticos. Culpam as restrições da pandemia e os gestores que as decretaram, se esquecendo que todo o mundo viveu restrições muito mais rígidas e não sofre as mesmas mazelas que aqui. Ignoram, acima de tudo, que inventar culpados é a saída dos fracos e incompetentes, pois quem tem competência cria soluções.

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Triste mesmo é constatar que todas as fontes de inflação hoje devem continuar existindo até meados do próximo ano. A escassez da energia, a crise dos insumos e matérias-primas e a supervalorização das commodities não devem ter um desfecho tão breve. Na melhor das hipóteses, continuaremos a conviver com o arrocho até abril de 2022, se não piorar. E o salário ó...

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