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Economia Sábado, 23 de Outubro de 2021, 06:15 - A | A

Sábado, 23 de Outubro de 2021, 06h:15 - A | A

NA GRAÇA DO POVO

Atacados “apagam” hipermercados do mapa

A vantagem de levar mais pagando menos, somado à diversidade de marcas, tem atraído consumidores e provoca o aumento no número de lojas

Priscilla Silva

Repórter | Estadão Mato Grosso

O setor supermercadista do país já sente, nos resultados, os primeiros reflexos da perda de renda e fome dos brasileiros. Em agosto de 2021, estabelecimentos registraram um recuo de 2,33% no consumo nos lares brasileiros na comparação com julho. A nova realidade fez com que o modo de comprar ficasse concentrado em lojas atacadistas, em detrimento dos hipermercados. Em Mato Grosso, a conversão de lojas varejistas para atacado cresceu durante a pandemia de covid-19.

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Até o fim do ano, ao menos uma loja atacadista será inaugurada e outra reinaugurada em Cuiabá. Investimentos que sinalizam o “bom momento” para essa categoria.

O conceito de hipermercado no estado não chegou a cair no gosto dos mato-grossenses, mesmo quando o movimento ainda estava forte no restante do país. Porém, com a pandemia, as poucas lojas existentes foram fechadas e serão transformadas em atacarejos, com novos proprietários.

“O formato [hipermercado] nunca foi forte em Mato Grosso. Os que tinham foram comprados por uma rede nacional e estão sendo substituídos por atacarejos, que vêm num crescimento muito forte nesse período, tanto regional como nacional”, conta Alessandro Morbeck, presidente da Associação de Supermercados de Mato Grosso (Asmat).

Com poder de compra mais restrito, a população mato-grossense acompanha uma tendência nacional de comprar em lojas que ofereçam mais por menos. São atraídos pelas embalagens mais econômicas ou produtos que se encaixam no conceito do “leve mais e pague menos”, facilmente encontrados nos atacarejos.

Houve uma “mudança de consumo”, confirma Alessandro, que atribui parte desse acontecimento ao aumento expressivo dos preços das commodities como o milho e a soja. Esses produtos, que têm seu valor determinado pelo câmbio, ou seja, em dólares, influenciaram altas nos preços dos alimentos no varejo.

"Isso também tem uma grande variação com o dólar, já que as commodities subiram tanto nacional como mundialmente, e também a redução do auxílio emergencial, que fez com que o consumidor migrasse de produtos mais caros para mais baratos", pontua.

A carne bovina, o arroz e o açúcar são exemplos de itens essenciais para alimentação que perderam espaço nos carrinhos de supermercados. “Teve uma migração de carne para frangos e suínos, além da mudança de marcas por produtos com menor valor agregado”, observa.

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O encolhimento do consumo nos supermercados registrado em agosto deste ano poderá se repetir nas próximas pesquisas. No mês em questão, a diminuição de 2,33% no consumo nos lares brasileiros refletia fatores externos e internos como a alta da inflação e o desemprego.

"Câmbio, geadas e a população com bolso mais restrito tiveram influência no resultado de agosto", observou Marcio Milan, vice-presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), entidade responsável pelo índice de consumo no setor.

Durante evento promovido pela Associação Paulista de Supermercados (Apas), Jorge Faiçal, presidente do Grupo Pão de Açúcar (GPA), declarou ao Valor Econômico que o cenário atual é mais desafiador e o próximo ano exige atenção. “Estamos vivendo um momento de queda de volumes que não víamos há anos”.

Levando em consideração a persistência da inflação, o consumo nas lojas de atacarejo deve crescer. De acordo com o IBGE, o índice de inflação no acumulado de 12 meses, encerrados em setembro, já atingiu o valor de 10,25%.

“Estamos acompanhando com atenção a questão dos preços e a variedade de marcas no mercado que cabem em todos os bolsos. É necessário o consumidor pesquisar neste momento”, recomenda o vice-presidente da Abras.

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