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Brasil Quinta-feira, 08 de Fevereiro de 2024, 07:46 - A | A

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APONTANDO DEDOS

Lula diz que tentativa de golpe é "dado concreto" e não teria acontecido sem Bolsonaro

Em entrevista a rádio de MG, Lula disse defender "presunção de inocência" de Bolsonaro

g1

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (8) que a tentativa de golpe de aliados de Jair Bolsonaro insatisfeitos com a derrota nas eleições de 2022 é um "dado concreto" – e não teria acontecido sem o ex-presidente.

Lula deu as declarações horas após a Polícia Federal deflagrar uma operação contra Bolsonaro, ex-ministros e ex-assessores investigados por tentar dar um golpe de Estado e invalidar as eleições presidenciais vencidas por Lula.

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"Eu, sinceramente, não tenho muitas condições de falar sobre uma ação da Polícia Federal porque isso é uma coisa sigilosa, é uma coisa da polícia, uma coisa da Justiça. E não cabe ao presidente da República ficar dando palpite numa atuação dessa", disse Lula.

"Obviamente que tem muita gente envolvida, eu acho que tem muita gente que vai ser investigada, porque o dado concreto é que houve uma tentativa de golpe, houve uma política de desrespeito à democracia, houve uma tentativa de destruir uma coisa que construímos há tantos anos, que é o processo democrático, e essa gente tem que ser investigada", continuou.

Perguntado se a investigação levaria à participação de Bolsonaro nessa suposta tentativa de golpe, Lula evitou ser taxativo, mas disse acreditar no envolvimento do ex-presidente.

"Eu não sei, eu acho que [a tentativa de golpe] não teria acontecido sem ele [Bolsonaro]".

"Nós queremos saber quem é que financiou, queremos saber quem é que pagou, quem é que financiava aqueles acampamentos, sabe, para que a gente nunca mais permita que aconteça o ato que aconteceu no dia 8 de janeiro", prosseguiu o presidente.

Lula repetiu, na entrevista a uma rádio mineira, a ressalva que tem feito sempre que é questionado sobre os inquéritos de Bolsonaro: que defende a presunção de inocência. Lula costuma dizer que não teve direito a essa presunção de inocência quando foi alvo da operação Lava Jato, na década passada.

Operação mira Bolsonaro e aliados

A Polícia Federal deflagrou uma operação nesta quinta-feira (8) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, ex-ministros e ex-assessores dele investigados por tentar dar um golpe de Estado no país e invalidar as eleições de 2022, vencidas por Luiz Inácio Lula da Silva.

Ao todo, a PF cumpre 33 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão preventiva. Há ainda medidas cautelares, como proibição de contatos entre os investigados, retenção de passaportes e destituição de cargos públicos.

Os mandados foram autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Os nomes dos alvos não tinham sido divulgados até as 8h30.

Jair Bolsonaro é alvo de medidas restritivas – por exemplo, a entrega do passaporte às autoridades em até 24 horas.

Há mandados de prisão preventiva contra:

Filipe Martins, ex-assessor especial de Bolsonaro;
Marcelo Câmara, coronel do Exército citado em investigações como a dos presentes oficiais vendidos pela gestão Bolsonaro e a das supostas fraudes nos cartões de vacina da família Bolsonaro;
Rafael Martins, major das Forças Especiais do Exército.

Há também mandados de busca e apreensão contra:

Valdemar Costa Neto, presidente do PL – partido pelo qual Bolsonaro disputou a reeleição;
Braga Netto, ex-ministro da Defesa e candidato a vice de Bolsonaro em 2022;
Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);
general Paulo Sérgio Nogueira, ex-comandante do Exército;
almirante Almir Garnier Santos, ex-comandante-geral da Marinha;
general Stevan Teófilo Gaspar de Oliveira, ex-chefe do Comando de Operações Terrestres do Exército;
Tércio Arnaud Thomaz, ex-assessor de Bolsonaro e considerado um dos pilares do chamado "gabinete do ódio".

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