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Cidades Sexta-feira, 31 de Janeiro de 2020, 17:40 - A | A

Sexta-feira, 31 de Janeiro de 2020, 17h:40 - A | A

CASAS EM CHAMAS

Curto-circuito é principal causa de incêndios residenciais

Nossa reportagem procurou o Corpo de Bombeiros para explicar os procedimentos a serem adotados em casos de incêndios residenciais

Tarley Carvalho

Desde o início de 2020, as notícias de incêndio em residências no estado de Mato Grosso têm chamado a atenção. Como o mês ainda não fechou, não é possível afirmar que janeiro de 2020 está com mais ocorrências que a média. De qualquer forma, o aviso, a precaução e as orientações para saber como se agir nestes casos são sempre bem-vindos. Por esse motivo, nossa reportagem conversou com o tenente Célio, do Corpo de Bombeiros Militar (CBM).

A principal causa dos incêndios em residências no perímetro urbano está ligada a curtos-circuitos, causados por fiação velha e por sobrecarga de equipamentos ligados ao mesmo tempo.

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De acordo com o tenente, o chuveiro elétrico e o aparelho de ar condicionado são os dois maiores responsáveis por sobrecarregar a rede elétrica. Para continuar usufruindo de ambos e se proteger de incidentes, é fundamental que a fiação esteja em boa qualidade e, de preferência, que ela seja mais espessa que a rede comum. Isso contribuirá para a rede aguentar essa sobrecarga.

Nós questionamos o tenente sobre o prazo para se considerar uma fiação nova ou velha. Segundo ele, essa classificação vai depender de vários fatores, como a qualidade da fiação usada e espessura. A melhor forma de averiguar a situação, orienta, é chamar um eletricista para avaliar toda a rede elétrica da casa. Ele é o profissional capacitado para fazer a avaliação e recomendar as melhores adequações para a residência.

QUARTETO DA MORTE

Para nós, leigos no assunto, o fogo pode parecer um só e o sentimento é sempre o de medo e de se manter distância. Contudo, para combatê-lo é preciso conhecer suas diferentes formas de vida. Sem o devido conhecimento, ainda que com boa intenção, nossa interferência pode acabar piorando a situação. São quatro as classes de incêndio e o tenente Célio nos explica a diferença de cada um deles e como combatê-los.

Classe A – Neste grupo estão inclusos aqueles em materiais sólidos, como madeira, papel, folhagem, móveis da residência. O combate a este incêndio é o mais simples e pode ser feito com água mesmo.

Classe B – Mais complexo que o primeiro, este tipo de incêndio se alimenta de líquidos inflamáveis, como a gasolina e o etanol. Neste caso, o material a ser utilizado é a espuma retardante de fogo. Na prática, esse material irá abafar o combustível e evitar seu contato com o oxigênio, que alimenta o fogo. O tenente destaca que o uso de água para combater esse tipo de incêndio pode ser muito perigoso, uma vez que ela pode acabar espalhando o fogo e ele se propagar em outros focos, como casas vizinhas.

Classe C – Aqui estão os incêndios causados na rede elétrica. O primeiro procedimento a se adotar neste caso é desligar a rede elétrica. Feito isso, ele passa a ser considerado um incêndio de Classe A e pode ser combatido com água mesmo.

Classe D – Esse tipo de incêndio é mais raro. Neste caso, o fogo se alimenta de metais pirofóricos. A roda do avião é feita com esse material. Usar a água para combater este tipo de incêndio é totalmente descartado, já que o material tem fortes reações com ela, como acabar piorando a situação.

Veja as dicas para se proteger

Pedimos dicas do tenente Célio sobre como agir em caso de estarmos em uma casa em chamas. Para sair do local, ele recomenda que se umedeça um pano e o use para proteger o rosto. Esse pano servirá como um filtro e ajudará na respiração, evitando maior intoxicação com a fumaça do incêndio.

Depois de se proteger da intoxicação, o próximo passo é deixar o local. Com agilidade, mas com calma, é importante que a vítima se abaixe ao máximo, se rastejando, se possível, para deixar o local. O tenente explica que os gases tóxicos, por serem leves, estarão na parte superior, portanto, andar de forma rasteira também auxilia na prevenção à intoxicação.

Ao sair do local, chegou o momento de acionar a emergência do CBM, por meio do telefone 193. Na sequência, desligue o disjuntor para suspender a corrente elétrica. Assim, diminui-se os riscos de a situação se agravar se, por exemplo, for utilizada água no combate ao incêndio.

O tenente ressalta que se o incêndio já tiver se alastrado apresenta maior risco à segurança da pessoa. Portanto, o recomendável é se afastar da área e aguardar a emergência chegar, deixando o trabalho para eles, devidamente capacitados para o enfrentamento ao fogo.

O último passo é procurar atendimento médico para avaliação da saúde e realizar os procedimentos de desintoxicação, devido à fumaça à qual a pessoa foi exposta.

Por fim, apesar de não ser uma exigência legal, o bombeiro avalia que seria positivo se as famílias investissem em adquirir um extintor de incêndio para suas casas.

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