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Cidades Sábado, 30 de Outubro de 2021, 07:10 - A | A

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PARALISAÇÃO NACIONAL

Caminhoneiros de MT se dividem sobre greve na próxima segunda

Às vésperas do dia agendado para a mobilização, setores divergem sobre essa segunda edição

Priscilla Silva

Repórter | Estadão Mato Grosso

A segunda paralisação dos caminhoneiros, convocada por lideranças dos profissionais autônomos e celetistas, pode ficar enfraquecida. Diferente de 2018, o ato agendado para segunda-feira, 1º de novembro, não terá o apoio de setores econômicos e da sociedade.

O reajuste no preço do diesel, somado às falas do ministro da Infraestrutura Tarcísio Freitas e a ausência de soluções a curto prazo deram mais combustível para acender a greve nacional dos caminhoneiros. Às vésperas do dia agendado para a mobilização, setores que participaram do 1º ato em 2018 divergem da decisão de uma segunda edição da greve.

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Enquanto lideranças dos caminhoneiros autônomos alegam falta de propostas para “apaziguar” os ânimos dos motoristas e impedir a greve, setores como o agronegócio e o logístico dizem que não vão apoiar o ato.

“Em 2018, quando aconteceu a paralisação, ela teve o apoio das empresas transportadoras e dos produtores do agro. Elas também pediam redução do diesel, que é um custo importante para o produtor. Já esse ano é diferente. Eles [caminhoneiros] não têm nem apoio do agro e nem das transportadoras. Então, não sei qual será o êxito deles se eles seguirem com essa proposta de paralisação”, avalia Edeon Vaz, diretor executivo do Movimento Pró Logística da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja).

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Uma pesquisa realizada no dia 21 de outubro pela FreteBras, plataforma online de transporte de cargas, apontou que 59% dos caminhoneiros cadastrados apoiam a paralisação. Em Mato Grosso, por outro lado, 53% afirmaram ser contra a paralisação. O estado ficou em terceiro, perdendo apenas para Mato Grosso do Sul (65%) e Goiás (54%) no montante de caminhoneiros que afirmaram não ter o menor interesse em participar.

Caminhoneiros estão divididos

O custo com diesel, que sofreu mais um aumento no último dia 26 de outubro, tem impacto direto no frete e na fonte de renda do caminhoneiro autônomo. Mas o problema é mais amplo. Neste período de entressafra e custos altos, quem atua em regiões produtoras em Mato Grosso “não quer saber de greve”, afirma Edgar Laurini, representante dos caminhoneiros em Tangará da Serra.

“O custo não está só no diesel. Está nos pneus, na manutenção, nas oficinas, impostos, pedágios. Está inviável rodar e tem muita gente parando, ficando em casa”, relata.

Apesar de o aumento do custo ser generalizado, lideranças dos autônomos e celetistas mantém o ‘estado de greve’ e a ameaça de greve para início de novembro. “Não tem mais como aguentar. Estamos numa situação pior que 2018”, afirmou o Wallace Landim, presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava), nesta semana.

A convocação de greve teve como estopim a última alta no preço do diesel. O novo valor do diesel A gerou um aumento de R$ 3,06 para R$ 3,34 por litro. Um reflexo no reajuste médio de R$ 0,28 por litro, segundo cálculos do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Mato Grosso (Sindipetróleo-MT). A alta no custo do combustível gera um efeito cascata e tem impacto imediato no frete.

Caso ocorra, a greve deve contar com o apoio dos funcionários de postos de combustíveis. Orientados pelos sindicatos, os frentistas já começam a organizar ações de acolhimento aos motoristas.

“Apoiamos a iniciativa porque ela é justa. A luta dos caminhoneiros vai de encontro a um anseio de toda a sociedade, incide sobre todo o consumo e encarece a vida de todo mundo. Vamos dar todo o apoio do ponto de vista de estrutura”, comentou Eusébio Pinto Neto, presidente da Federação Nacional dos Frentistas (Fenepospetro) e do Sindicato dos Frentistas do Rio de Janeiro (Sinpospetro-RJ).

Auxílio diesel gera incômodo

Outro incomodo foi gerado na última quarta-feira (27), quando o ministro da Infraestrutura sugeriu que os caminhoneiros independentes precisavam se reinventar e procurar empregos em transportadoras. Antes da fala, na tentativa de apaziguar os ânimos, o governo federal anunciou a criação de um auxílio-diesel.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), em nota, repudiou a proposta de pagamento de R$ 400 anunciada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), durante evento em Pernambuco. O valor foi considerado um absurdo e insignificante pelos representantes.

“Ao invés de tratar a causa, quer tratar o efeito colateral dela. É preciso extirpar o mal dessa política errada da Petrobrás que começou no governo Temer e segue no governo Bolsonaro”, disparou Carlos Alberto Litti Dahm, diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) e caminhoneiro autônomo.

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