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Brasil Terça-feira, 01 de Dezembro de 2020, 12:45 - A | A

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COMBATE A CORRUPÇÃO

Operação E$quema S: MPF diz à ONU que não há intimidação narrada por dois advogados

Lava Jato RJ rebate cada alegação de Roberto Teixeira e Cristiano Zanin Martins

Assessoria de Imprensa | MPF

O Ministério Público Federal (MPF) prestou informações às Organizações das Nações Unidas (ONU) que rebatem a versão dos advogados Roberto Teixeira e Cristiano Zanin Martins de que sofreram intimidação e assédio judicial por terem trabalhado para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A Força-tarefa Lava Jato no Rio de Janeiro rebateu as alegações do escritório Teixeira, Martins & Advogados em ofício que o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) envia, por intermédio do Itamaraty, ao relator especial da ONU sobre a independência de juízes e advogados.

Com o ofício, o MPF ressaltou que não procedem as alegações narradas às Nações Unidas, como a tese da indução de um réu colaborador e da ausência do contraditório num processo por crimes envolvendo desvios de recursos federais do Sesc/RJ e Senac/RJ. Os dois advogados estão entre os 26 primeiros réus da Operação E$quema S, que está com a tramitação suspensa por decisão de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) cuja suspeição foi contestada pelo MPF à presidência do Tribunal.

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A força-tarefa informou que suas investigações e processos (51 operações desde novembro de 2016) miram esquemas de corrupção e outros crimes praticados a partir do estado do Rio de Janeiro, sendo que o ex-presidente citado pelos advogados “sequer é ou foi alvo de qualquer investigação realizada pela Força-Tarefa Lava Jato no Rio de Janeiro”. Segundo o MPF, Teixeira e Martins não foram investigados nem acusados pelo exercício de advocacia prestado em razão de contratos advocatícios verdadeiros, mas por crimes vinculados à simulação de contratos ideologicamente falsos, entre 2012 e 2017.

Na resposta à ONU, são listados 120 documentos incluídos pelo MPF como elementos de prova nos autos e que embasaram buscas em escritórios de advogados envolvidos com a organização criminosa. A força-tarefa destacou que os mandados em escritórios de advocacia foram cumpridos na presença de pelo menos um representante da Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O MPF informou que os advogados nunca pediram ao Judiciário, nem identificaram, desde as buscas, o dispositivo com dados do ex-presidente que citaram à ONU por suposta apreensão indevida.

Outras alegações foram rebatidas como a apresentação da denúncia antes das buscas e publicização da operação pela Assessoria de Comunicação do MPF; a suposta ausência do contraditório e desproporção no confisco de bens e valores; a decisão do ministro Gilmar Mendes de suspender a Operação E$quema S; e a suposta falta de isenção do juiz responsável.

“É absolutamente esdrúxula e vazia a versão conspiratória apresentada às Nações Unidas pelo Sr. Roberto Teixeira e pelo Sr. Cristiano Zanin Martins, que, ao invés de exercerem o seu legítimo direito de defesa pelo uso dos pródigos recursos disponíveis na legislação brasileira, buscam vias heterodoxas para artificializar narrativas e alcançar vitimização e blindagem contra a possível punição por atos criminosos pelos quais vêm sendo acusados pelo Ministério Público Federal”, frisa a força-tarefa Lava Jato/RJ no documento de 54 folhas assinado por 12 membros do Ministério Público.

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