A esclerose múltipla é uma enfermidade autoimune crônica que afeta o sistema nervoso central e pode causar sintomas como perda de força, alterações na visão, dormências, desequilíbrio, fadiga intensa e dificuldade para caminhar. No Dia Mundial da Conscientização sobre a condição, celebrado em 30 de maio, a data reforça a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado para reduzir sequelas e preservar a qualidade de vida.
Mais frequente em mulheres jovens, principalmente entre 20 e 40 anos, a condição ainda não tem cura, mas os avanços no diagnóstico e no tratamento têm mudado o prognóstico e permitido mais qualidade de vida para quem convive com a condição.
No Brasil, a estimativa da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (HU Brasil) é de que cerca de 40 mil pessoas convivam com a esclerose múltipla. Em Cuiabá, a prevalência atual é estimada em aproximadamente 15 casos para cada 100 mil habitantes.
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Segundo o neurologista e neuroimunologista Victor Hugo Gomes, integrante da equipe de Neurologia do Hospital São Mateus, o quadro ocorre quando o sistema imunológico passa a atacar a bainha de mielina, estrutura responsável por revestir e proteger os neurônios.
“A esclerose múltipla é uma condição inflamatória e autoimune em que ocorre agressão à bainha de mielina, responsável por garantir a condução adequada dos impulsos nervosos. Com isso, diferentes funções neurológicas podem ser afetadas”, detalha.
O quadro costuma se manifestar por meio de surtos neurológicos, caracterizados por episódios de piora aguda que duram mais de 24 horas. Entre os sinais mais frequentes estão perda de força em braços ou pernas, alterações de sensibilidade, visão embaçada, vertigem, desequilíbrio, alterações urinárias e paralisia facial.
Além dos sintomas físicos, muitas pessoas convivem com manifestações consideradas “invisíveis”, principalmente a fadiga intensa, que pode comprometer atividades do dia a dia e qualidade de vida.
“Muitas vezes os sintomas surgem de forma isolada e acabam sendo negligenciados, principalmente em pessoas jovens. O problema é que atrasar o diagnóstico pode favorecer a progressão neurológica e aumentar o risco de incapacidades permanentes no futuro”, alerta.
Fatores de risco e influência do calor
Embora as causas exatas ainda não sejam totalmente conhecidas, estudos apontam que fatores genéticos e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da condição. Entre eles estão infecções virais, tabagismo, obesidade na infância e baixa exposição solar.
Outro ponto de atenção envolve os impactos das altas temperaturas em pessoas com esclerose múltipla, especialmente em cidades de clima quente, como Cuiabá. “O calor pode provocar uma piora transitória dos sintomas neurológicos, principalmente da fadiga e de sintomas prévios que o paciente já apresentava. Isso acontece com frequência e exige atenção”, ressalta o médico.
Tratamento mudou prognóstico da condição
O diagnóstico envolve avaliação clínica, exames de imagem e análise do líquor, além da exclusão de outras alterações neurológicas. A ressonância magnética é uma das principais ferramentas para confirmação diagnóstica.
Com os avanços da medicina nos últimos anos, o tratamento também mudou significativamente. Atualmente, terapias de alta eficácia disponíveis tanto pelo SUS quanto pela saúde suplementar conseguem reduzir surtos, controlar a atividade inflamatória e retardar a progressão das sequelas.
Além das medicações, hábitos saudáveis como prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, abandono do tabagismo e redução do consumo de álcool também ajudam no controle do quadro e na qualidade de vida.
Para Victor Hugo Gomes, ampliar a informação sobre a esclerose múltipla ainda é fundamental para combater preconceitos e facilitar o diagnóstico precoce.
“A condição ainda carrega muitos estigmas, mas atualmente pessoas diagnosticadas podem manter uma vida ativa e produtiva quando recebem acompanhamento adequado e iniciam o tratamento precocemente”, conclui.












