O debate sobre a desapropriação da área ocupada no Contorno Leste ganhou um novo desdobramento nesta terça-feira, 2 de dezembro, quando José Antônio Ribeiro Pinto, filho de João Pinto — proprietário original da terra e morto durante um conflito no local — afirmou, durante reunião na Câmara Municipal de Cuiabá, que a família chegou a oferecer 5,7 hectares da propriedade como doação ao Município, mas que a prefeitura recusou a proposta.
Segundo ele, a doação contemplava a área mais alta da propriedade, livre de enchentes e com acesso facilitado, justamente para atender as famílias vulneráveis da região.
- FIQUE ATUALIZADO: Entre em nosso grupo do WhatsApp e receba informações em tempo real (clique aqui)
- FIQUE ATUALIZADO: Participe do nosso grupo no Telegram e fique sempre informado (clique aqui)
“A gente doou uma área de 5,7 hectares no lugar mais alto da propriedade, livre de enchentes, contemplando vias de acesso e a Prefeitura, infelizmente, por motivos que eu desconheço ainda, não aceitou essa doação. Então, já existe a doação de uma área, para atender os vulneráveis, porque é preciso estabelecer um critério. E esse critério foi estabelecido pelo Governo do Estado. A gente se baseou, teve a baliza no relatório do Setasc (Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania)”, disse.
José Antônio também afirmou que a desapropriação anunciada pelo prefeito Abilio Brunini (PL), embora seja uma medida obrigatória por lei, foi apenas comunicada à família, sem qualquer diálogo prévio — mesmo após anos de tratativas envolvendo Prefeitura, Ministério Público e Justiça. Segundo ele, a decisão foi tomada de forma unilateral, sem que a família pudesse apresentar alternativas ou o histórico das tentativas de acordo já feitas.
“Foi uma comunicação compulsória. A gente não teve opção de escolha. O prefeito não chamou a família para conversar, só comunicou”, declarou.
Em tom emocionado, José rebateu qualquer interpretação de que a discussão envolva valores financeiros.
“A questão não é dinheiro. Meu pai perdeu a vida naquela propriedade. Ele trabalhou a vida inteira ali. Eu cresci, nasci naquela terra. Meu pai foi humilhado, massacrado e morto no dia do aniversário da minha mãe”, afirmou, destacando que a área tem valor histórico e afetivo.
Diante de questionamentos sobre qual destino pretendem dar ao terreno, caso permaneça com a família, ele respondeu: “Se for para criar galinha, eu vou criar galinha. A propriedade é nossa, é um direito nosso. Foi conquistada a duras penas desde 1967.”
José afirmou que a família não está em conflito com os moradores, nem pretende dificultar a solução. Segundo ele, o que falta é divulgar a verdade sobre a participação dos herdeiros no processo. “Nós somos parte da solução, não parte do conflito. Somos vítimas e queremos acolher essas famílias. Só queremos que isso seja divulgado, e isso não está sendo divulgado”, declarou.
Veja vídeo:

















