O empresário Eraí Maggi, um dos maiores produtores rurais do Brasil, comentou a homologação de três novas terras indígenas em Mato Grosso, Estação Parecis (Diamantino), Manoki (Brasnorte) e Uirapuru (Campos de Júlio, Nova Lacerda e Conquista D’Oeste). A decisão, assinada pelo presidente Lula, gerou forte debate político.
Questionado sobre as críticas, Eraí afirmou que ainda não analisou detalhadamente cada demarcação, mas destacou que o debate não pode se restringir a “terra para um lado, terra para o outro”, e sim avançar para políticas que garantam condições reais de vida aos povos indígenas.
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“O que é de índio é de índio, o que é de branco é de branco. Mas a gente tem que entender tudo isso melhor. Esse conflito é ruim”, afirmou. Ele destacou que, nas regiões onde mais atua, a convivência entre produtores e comunidades indígenas é pacífica, mas isso não elimina problemas estruturais.
Eraí chamou atenção para a vulnerabilidade das aldeias, especialmente entre jovens: “O indiozinho tá lá, coitado, a menina na prostituição, os guris na droga. Isso é ruim. Temos que dar condições para o índio, para os filhos deles.”
Segundo ele, a pressão sobre os recursos naturais também piorou a situação. “O branco povoou todas as beiras dos rios. O peixe não vem mais onde passa nas aldeias. Antes criava peixe e bicho no Brasil inteiro e na reserva eles caçavam. Agora não cria suficiente só dentro da reserva.”
Para ele, apenas ampliar território não resolve o problema. “Talvez essa terra não vai resolver, não. O que vai resolver é dar condições. Deixar o índio trabalhar, produzir com tecnologia, como em outros países, respeitando a cultura dele.”
Eraí defende que toda a sociedade, e não apenas o governo, precisa assumir responsabilidade: “Todo mundo tem que dar condições. O índio não consegue mais ser isolado, está permeado pelo branco em volta. Temos que ser mais responsáveis.”
A homologação das três áreas ocorre no momento em que o tema volta ao centro das discussões nacionais. Na semana passada, o governador Mauro Mendes (União Brasil) ingressou com uma petição no Supremo Tribunal Federal, dentro do processo que discute o marco temporal.
O assunto segue em fase de audiências de conciliação, mas o Congresso já havia aprovado, em 2023, uma lei instituindo o marco temporal, mesmo após o STF ter declarado a tese inconstitucional.















