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Política Terça-feira, 02 de Julho de 2024, 07:07 - A | A

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ENVOLVIMENTO COM O C.V.

Postura da Câmara sobre Paulo Henrique escancara perseguição contra mim, diz Edna

Tarley Carvalho

Editor-adjunto

Cassada pela segunda vez por suposto esquema de rachadinha com a verba indenizatória de sua ex-chefe de gabinete, Laura Abreu, Edna Sampaio vê com revolta a postura da Câmara Municipal em relação ao seu ex-colega de Parlamento, Paulo Henrique (MDB). O vereador foi um dos alvos da Polícia Federal no começo do mês passado por suposto envolvimento com o Comando Vermelho, principal facção criminosa de Mato Grosso. Edna conversou com os jornalistas na manhã do último sábado, 29 de junho.

“Eu acho que isso [demora em abrir o processo por quebra de decoro parlamentar] só prova o que eu tenho dito desde o princípio, que é uma perseguição política. Em primeiro lugar, a comissão, os vereadores que assinaram o pedido da comissão de ética não pediram a cassação do vereador. Pediram para a comissão de ética investigar. Só isso!”, criticou.

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A vereadora cassada ressaltou que parte do inquérito da Polícia Federal ainda está sob sigilo, mas que outra já foi vazada à imprensa, com partes reveladas ao público.

Além disso, a petista destacou que a Procuradoria-Geral da Câmara manifestou pelo arquivamento do pedido de processo porque a Casa não poderia abrir procedimento com base apenas em matérias jornalísticas. Contudo, os processos que culminaram nas duas cassações da vereadora foram embasados justamente em reportagens.

Edna não é a única a apontar essa comparação. A vereadora Maysa Leão, que votou pela cassação da petista, também criticou o posicionamento da Procuradoria da Casa.

“A abertura de um procedimento contra o que está acontecendo com o vereador Paulo Henrique não é a condenação do vereador. A abertura é baseada em recortes de jornal, que foram aceitos no caso da vereadora Edna. Essa abertura se dá para que, no devido processo legal, ele possa se defender, possam ser chamadas pessoas para testemunhar a favor dele e possam ser chamadas, inclusive, pessoas da investigação. Dois pesos e duas medidas é o que eu vejo nessa análise”, pontuou Maysa em meados de junho.

Questionada sobre qual postura a Câmara deveria ter em relação ao vereador Paulo Henrique, se abrir o processo ou aguardar mais provas, Edna Sampaio afirmou que a Casa está contaminada por interesses e que não tem condições de conduzir qualquer processo justo.

“A Câmara sabe o papel constitucional que tem. Tem instrumentos e ferramentas ali para cumprir o seu papel constitucional e não cumpre porque, lamentavelmente, é utilizada ao bel prazer dos interesses de que controla [...]A Câmara está completamente contaminada por interesses que não são interesses públicos e é isso que está conduzindo à direção dela, infelizmente”, avaliou.

Atualmente, Edna Sampaio está sem cargo político. Ela foi cassada no último dia 6 e agora tenta retornar ao cargo por via judicial. Esta é a segunda vez que a vereadora é cassada sob acusação de se apropriar da verba indenizatória de sua ex-chefe de gabinete, Laura Abreu.

A petista se diz confiante em reverter sua situação na Justiça e retornar ao cargo na Câmara Municipal. Além do prejuízo por ter o mandato interrompido, a cassação ainda complica a situação política de Edna para disputar as eleições deste ano, uma vez que se torna inelegível.

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