O novo secretário de Estado de Saúde, Juliano Melo, negou que o Governo tenha transferido o comando do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ao Corpo de Bombeiros após o desligamento de 56 profissionais da equipe. Segundo ele, o que existe é uma cooperação entre as duas estruturas para ampliar a cobertura do atendimento e reduzir o tempo de resposta nas ocorrências.
A declaração foi dada em meio à reação de ex-servidores do Samu, que questionam a dispensa dos trabalhadores e alertam para prejuízos no atendimento de urgência e emergência. Entre os desligados estão 10 condutores, 22 enfermeiros e 24 técnicos de enfermagem, o que, segundo o Sindicato dos Servidores Públicos da Saúde de Mato Grosso (Sisma), representa cerca de 30% do quadro da unidade.
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Juliano afirmou, no entanto, que não houve mudança na gestão do serviço, nem repasse de responsabilidade aos bombeiros. De acordo com ele, a atuação conjunta foi criada para fortalecer a operação do Samu, aproveitando a estrutura já existente do Corpo de Bombeiros no interior do estado.
“Não é uma transferência de comando e gestão, é uma cooperação onde o bombeiro, na operação do Samu, já de início mais do que dobra a nossa cobertura, porque nós temos várias bases do bombeiro no interior e a gente pode operar isso conjuntamente”, declarou.
O secretário também sustentou que a integração já apresenta resultados positivos, com melhora na cobertura e redução no tempo de resposta. Segundo ele, a medida foi adotada justamente para reforçar o atendimento e tornar a operação mais eficiente.
Sobre os 56 profissionais que deixaram o serviço, Juliano disse que se tratava de contratos temporários vencidos e não renovados. Ele afirmou ainda que parte desses trabalhadores já foi reaproveitada em outras unidades e que muitos também foram aprovados em processo seletivo realizado pelo Corpo de Bombeiros.
Ao ser questionado se os 56 desligados seriam substituídos, Juliano afirmou que, neste momento, a pasta não vê necessidade de repor integralmente esse quantitativo. Segundo ele, há equipes suficientes nas bases atualmente, e eventual convocação dependerá da demanda operacional.
“Hoje nós nem precisamos dos 56. O processo seletivo que o bombeiro fez, inclusive estes 56, a maior parte deles passou no seletivo do bombeiro. Conforme a necessidade deste fluxo das bases, eles vão ser convocados pelo bombeiro e integram a equipe da operação”, disse.
Juliano também rebateu as críticas de que o governo estaria descumprindo a legislação ao transferir a responsabilidade do Samu aos bombeiros. Segundo ele, a lei proíbe a transferência do comando, mas esse não seria o caso da medida adotada pelo Estado.
“Mas o que se alega é que nós estamos transferindo a responsabilidade para o bombeiro, que não pode, que isso é ilegal. Nós sabemos, nós temos uma lei que proíbe a transferência do comando e nunca foi isso”, afirmou.
Do outro lado, ex-funcionários do Samu cobram a revisão dos desligamentos e afirmam que a redução no quadro pode comprometer a rapidez e a eficiência do atendimento prestado à população. A principal preocupação é que a diminuição da equipe afete diretamente a operação das unidades, sobretudo diante da demanda por atendimentos de urgência no estado.








