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Política Quarta-feira, 25 de Outubro de 2023, 10:15 - A | A

Quarta-feira, 25 de Outubro de 2023, 10h:15 - A | A

TRETAS NA CÂMARA

Críticas à intervenção geram barraco e vereador ganha apelido de "pequeno Maduro"

Rafael Machado

Repórter | Estadão Mato Grosso

A sessão ordinária da Câmara de Cuiabá na terça-feira, 24 de outubro, foi marcada por um bate-boca entre membros da situação e da oposição ao prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB). O tema do embate foi o trabalho realizado pela equipe interventora do Estado na Saúde Pública da capital.

O vereador Sargento Vidal (MDB), que presidia a sessão, iniciou o período do pequeno expediente, em que os vereadores devem apresentar propostas, trazendo à tona uma denúncia contra a intervenção. Ele reclamou que os servidores do Estado não estão respeitando os membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga os pagamentos feitos através da modalidade indenizatória.

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“Mesmo com essa CPI aberta denunciando, ou melhor, o prefeito denunciando sobrepreço gigantesco, na última semana, eles fizeram uma compra de 177% de sobrepreço sobre mercadoria, mesmo essa CPI tendo sido aberta com esta finalidade. Não estão preocupados com isso”, destacou.

Vidal comentou que a cada dia que passa tem recebido denúncias contra os trabalhos da intervenção, como a descontinuidade do SOS AVC, no Hospital São Benedito.

“Semana passada, nós fomos visitar o Hospital São Benedito, onde as denúncias chegaram aos montes. Mostrei aqui uma pessoa com surto psicótico no quarto andar. […] Eu perguntei ao diretor: 'e as cirurgias de grande complexidade?', ele disse: 'Não estamos atendendo. Só estamos atendendo casos do interior, não tem pacientes de Cuiabá, só do interior'. Chegou ao ponto do Hugo [Fellipe], que é co-interventor, proibir o diretor de nos autorizar a subir, três membros da Comissão de Saúde […] nos proibiram de subir. Ou seja, essa Casa vai ter que tomar uma atitude grave”, ressaltou.

A confusão começou quando ele cutucou o vereador de oposição Dilemário Alencar (Podemos). Vidal disse que, no momento de fiscalização no hospital, iria chamar o parlamentar para acompanhar a agenda, mas desistiu após tê-lo visto comendo churrasco em um vídeo publicado nas redes sociais.

Demilson Nogueira (PP) pediu questão de ordem e outros vereadores da oposição também, o que irritou Vidal, que perguntou ao progressista se ele advoga para intervenção.

“Antes o senhor defendia o crime? Se o senhor defende o errado, é só sair. Além de sair, o senhor quer induzir os outros ao erro?”, questionou.

Em seguida, Demilson saiu do plenário e a vereadora Maysa Leão pediu ao presidente para dar continuidade à sessão. Porém, Vidal afirmou que ela estava atrapalhando a sessão.

Na sequência, Dilemário pediu ao presidente da sessão que estudasse o Regimento Interno, pois, ao invés de apresentar propostas, Vidal fez denúncias contra a equipe estadual.

“Vereador Demilson pode falar que é advogado da intervenção. Duro é o senhor [Vidal], que é o advogado do paletó, isso é duro. O senhor ficou silenciado o tempo inteiro quando faltava dipirona, faltava tudo na saúde, o senhor ficava que nem um gatinho, quietinho, com pessoas morrendo na fila. Agora, está um leão para defender os interesses do prefeito Emanuel Pinheiro. Não é assim. O senhor tem que ter mais equilíbrio. O senhor virou ditador? Agora é o ditador Vidal? Só falta o senhor vestir a vestimenta do Maduro e o paletó, alguma coisa assim”, provocou.

Depois, Demilson apelidou Vidal de pequeno Maduro, em referência ao ditador venezuelano.

“Quando ele preside essa Casa, essa não é a primeira vez que nós temos que nos retirar do plenário, dado a atitude que ele adota como pequeno Maduro da Câmara de Cuiabá”, enfatizou.

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