A Câmara Municipal de Cuiabá rejeitou, na manhã desta quarta-feira (10), os pedidos de abertura de processo de cassação contra o vereador Chico 2000. As representações foram colocadas em votação durante sessão ordinária e acabaram derrubadas pela maioria dos parlamentares, por 15 votos a 7.
Os requerimentos não alcançaram os votos necessários para avançar à fase de investigação. Chico 2000 não participou da sessão por estar afastado do cargo, e a presidente da Casa não votou, conforme prevê o regimento interno. O placar final mostrou ampla resistência à abertura do processo.
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Votaram contra a cassação os vereadores:
Adevair Cabral (SD),
Alex Rodrigues (PV),
Baixinha Giraldelli (SD),
Daniel Monteiro (Republicanos),
Demilson Nogueira (PP),
Didimo Vovô (PSB),
Ilde Taques (PSB),
Jeferson Siqueira (PSD),
Kássio Coelho (Podemos),
Marcrean Santos (MDB),
Marcus Brito (PV),
Maria Avalone (PSDB),
Mario Nadaf (PV),
Sargento Joelson (Sem partido),
Wilson Kero Kero (PMB).
Já os votos favoráveis à cassação foram dados por:
Dilermário Alencar (União),
Katiuscia Mantelli (PSB),
Maysa Leão (Republicanos),
Michele Alencar (União),
Rafael Ranalli (PL),
Samantha Iris (PL),
Tenente-Coronel Dias (Cidadania).
A vereadora Dra. Mara optou pela abstenção, enquanto Eduardo Magalhães esteve ausente no momento da votação.
Apesar de não ter avançado, a discussão em plenário foi marcada por discursos duros de parlamentares que defenderam a apuração das denúncias. Para esse grupo, a abertura do processo não significaria uma condenação antecipada, mas sim uma resposta institucional às acusações que motivaram os requerimentos.
Por outro lado, a maioria dos vereadores sustentou que os pedidos careciam de elementos suficientes para justificar a abertura de uma comissão processante. Argumentaram ainda que eventuais irregularidades devem ser apuradas pelas instâncias competentes, como o Ministério Público e o Judiciário, evitando, segundo eles, a politização excessiva do caso dentro da Câmara.
SOBRE O PEDIDO
A representação foi protocolada pelo jornalista e servidor público Juliano Rafael Teixeira Enamoto, que atua como procurador da Câmara Municipal de Sapezal.
O requerimento solicita a abertura de processo por quebra de decoro parlamentar, com base no Decreto-Lei nº 201/1967, na Lei Orgânica do Município e no Regimento Interno da Câmara de Cuiabá. Assim como o primeiro pedido, a leitura em plenário seguiu o rito previsto na legislação federal que rege processos de cassação no âmbito do Legislativo municipal.
A representação tem como fundamento os desdobramentos da Operação Gorjeta, deflagrada pela Polícia Judiciária Civil, que teve Chico 2000 como um dos alvos. Segundo o documento, as investigações apontam um suposto esquema de desvio de recursos públicos por meio de emendas parlamentares destinadas ao Instituto Brasil Central (IBRACE), no período entre 2022 e 2025.
De acordo com o pedido, aproximadamente R$ 3,65 milhões teriam sido repassados à entidade, que, conforme apurado na investigação policial, funcionaria como uma “entidade de passagem”, responsável por transferir a maior parte dos recursos a empresas privadas. A peça também cita movimentações financeiras consideradas atípicas e possíveis indícios de retorno de parte dos valores para fins particulares.
O documento menciona ainda trechos da decisão judicial que autorizou a Operação Gorjeta, na qual são apontados indícios, em tese, da prática dos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e associação criminosa, além de registrar o afastamento do vereador durante a operação.
O pedido também relembra que Chico 2000 já foi alvo de outra investigação policial, a Operação Perfídia, em 2025, e argumenta que, até o momento, não houve providências disciplinares por parte do Legislativo municipal.













