O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou que a eventual transferência do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para o município precisa ser analisada com cautela, principalmente do ponto de vista orçamentário. A declaração ocorre em meio à discussão levantada pelo vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), que havia sinalizado a possibilidade de repassar a gestão do serviço à Capital.
Segundo Abilio, o Samu presta um serviço essencial tanto para Cuiabá quanto para o estado de Mato Grosso, e não deve ser tratado de forma isolada. Ele defendeu um modelo de atuação conjunta com o Corpo de Bombeiros.
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“Eu acho que o Samu presta um brilhante serviço para o município de Cuiabá e para o estado de Mato Grosso. Eu acredito que o próprio governador está tomando uma decisão equilibrada de colocar para trabalhar em conjunto, tanto o Samu quanto os Bombeiros”, afirmou.
O prefeito destacou que os dois serviços são complementares e não podem ser substituídos um pelo outro. Ainda assim, deixou claro que a Prefeitura está aberta ao diálogo com o Estado para discutir uma eventual parceria.
“Se caso quiser fazer uma parceria com o município de Cuiabá, nós estamos aí para conversar sobre isso, não tem problema não”, disse.
Apesar da abertura, Abilio fez um alerta: assumir o Samu sem a devida compensação financeira não seria uma solução adequada. Para ele, transferir a responsabilidade sem receita seria apenas deslocar um problema do Estado para o município.
“Transferir o Samu para o município de Cuiabá sem transferir receita é só passar uma situação que o Estado ficou desconfortável para o município, sem gerenciar a crise deles mesmos”, criticou.
O prefeito também apontou que Cuiabá já não possui mais a chamada “gestão plena” da saúde, o que limita a capacidade do município de administrar serviços de forma independente.
Ele citou que grande parte da rede hospitalar e da regulação de leitos está sob controle do Estado, incluindo unidades como Hospital Central, Santa Casa e Hospital Geral. Segundo Abilio, isso impacta diretamente o atendimento.
“Nós, tendo um paciente na nossa UPA, a gente não consegue mandar um paciente para a UTI. A gente depende da regulação do Estado”, afirmou.
De acordo com o prefeito, essa situação faz com que a gestão municipal tenha atuação limitada, o que precisa ser considerado antes de qualquer mudança na responsabilidade pelo Samu.
Outro ponto destacado por Abilio é que o município atualmente opera sob um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), com acompanhamento constante do Estado e do Ministério Público. Segundo ele, isso aumenta a pressão sobre a gestão e reduz a margem para assumir novas responsabilidades.
“O município está o tempo todo monitorado. A qualquer momento pode haver uma intervenção, porque muitas das metas não são possíveis de cumprir com o orçamento disponível”, disse.
Mesmo com o aumento do orçamento da saúde — que passou de cerca de R$ 1,1 bilhão para R$ 1,5 bilhão —, o prefeito afirmou que os recursos ainda são insuficientes diante da demanda.
Diante do cenário, Abilio defendeu que qualquer decisão sobre o Samu passe por uma discussão mais ampla, incluindo a retomada da gestão plena da saúde e a definição clara de responsabilidades entre Estado e município.
Para ele, o debate sobre o serviço não pode ser feito de forma isolada, sem considerar o contexto geral da saúde pública em Cuiabá.
PIVETTA RECUA
A discussão ganhou força após a demissão de 56 profissionais do Samu em Cuiabá, o que gerou reação imediata da categoria e pressão política. Diante da repercussão negativa, o governo estadual recuou.
Na quinta-feira (30), Pivetta decidiu reverter a medida e determinou a recontratação dos trabalhadores, após reunião com a Comissão de Saúde e representantes dos servidores, no Palácio Paiaguás.
Segundo o Sindicato dos Servidores Públicos da Saúde (Sisma), as recontratações devem ocorrer em regime de urgência, embora sem data definida.










