A desembargadora Maria Erotides Kneip, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, comentou na manhã desta segunda-feira, 23 de fevereiro, sobre o feminicídio de Luciene Naves Correia, de 51 anos, em Cuiabá. Segundo ela, o Poder Judiciário não pode tomar medidas mais severas contra Paulo Neves Bispo, autor do crime, já que os relatos apresentados pela vítima no processo nunca mencionaram agressão física anteriores ou até ameaças de morte.
Luciene foi assassinada a tiros na segunda-feira, 16 de fevereiro, dentro da casa onde morava no bairro Osmar Cabral. O autor do crime morreu minutos depois, quando um policial a paisana viu a movimentação do criminoso, que seguia para a casa da filha da vítima, para também matá-la.
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De acordo com a desembargadora, se medidas mais duras fossem tomadas, como tornozeleira eletrônica, caracterizaria abuso de autoridade.
"No primeiro boletim de ocorrência registrado a vítima disse que nunca tinha sido agredida fisicamente. Ela dizia que era humilhada e que passava por constrangimentos. Quando ela disse 'eu nunca fui vítima de agressão física', a gente não pode a partir daí determinar uma tornozeleira eletrônica. Isso seria abuso de autoridade", explicou magistrada em entrevista à TV Centro América.
"Os magistrados determinaram duas medidas, a primeira foi o retorno da vítima pra casa e que o agressor frequente sessões de terapia e, ele compareceu. Com as notícias que temos no processo, elas não autorizavam o agravamento de medidas protetivas mais severas".
A declaração acontece após as filhas da vítima criticarem o Poder Judiciário bem como a Segurança Pública. A informação é que Luciene chegou a acionar o botão do pânico duas vezes, mas nada aconteceu.
“A primeira pessoa que matou minha mãe foi a Justiça”, declarou a filha.
"O botão do pânico foi acionado duas vezes, eu estava junto, o policial veio, ele já tinha desligado o padrão de energia no dia e não fizeram nada. A Justiça falhou não só com minha mãe, mas com inúmeras vítimas de feminicídio. (...) Esse cara não era para estar vivendo em sociedade ele era pra estar preso", lamentou.













