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Polícia Sexta-feira, 05 de Dezembro de 2025, 11:09 - A | A

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CURIOSIDADE FATAL

Foi ver um ‘salve’ e acabou executado: delegado revela como alagoano foi descoberto por facção rival

Maiara Max

Repórter | Estadão Mato Grosso

Daffiny Delgado

Repórter | Estadão Mato Grosso

O delegado Nilson Farias, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), revelou novos detalhes sobre o homicídio de José Wallafe dos Santos, de 27 anos, encontrado morto e enterrado em uma cova rasa no dia 20 de agosto, nos fundos de um residencial em Várzea Grande. Segundo o investigador, o alagoano teria sido assassinado após sair de casa apenas para “ver” uma pessoa levando um "salve" de faccionados do Comando Vermelho (CV). Foi nesse momento que os criminosos identificaram tatuagens associadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC), o que teria motivado o crime.

De acordo com as investigações, Wallafe não era o alvo inicial do grupo. Ele se aproximou do local onde outra pessoa estava sendo agredida publicamente — prática utilizada pela facção para impor medo aos moradores. A partir daí, sua presença chamou atenção dos criminosos.

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“Os vizinhos relataram que aquela primeira pessoa estava sendo agredida com pedaços de madeira, na região do estômago, e tudo isso aconteceu ali, à vista de todo mundo. Essa exposição é proposital, para colocar temor na população”, explicou o delegado.

Farias destacou que Wallafe foi descoberto pelos faccionados ao se aproximar por curiosidade. Ao verem suas tatuagens, os agressores começaram a questioná-lo sobre a possível ligação com facção rival.

“Ninguém sabia quem ele era até então. Ele só foi descoberto porque foi, por curiosidade, ver uma pessoa levando um ‘salve’. Quando começam a perguntar sobre as tatuagens, ele tenta correr, e é aí que a situação escala”, esclareceu o delegado.

Disputa entre facções motivou crime

A investigação aponta que o homicídio teve relação direta com a disputa entre o CV e o PCC pelo controle do complexo habitacional. No dia do crime, em 8 de agosto, integrantes do CV teriam rendido uma família inteira — a vítima, a esposa e o filho de dois anos — em meio ao conflito por território. A criança chegou a ficar sob os cuidados de moradores do residencial durante a ação criminosa.

O corpo de Wallafe foi encontrado 12 dias depois, em avançado estado de decomposição, com diversos sinais de violência, incluindo lesões por arma branca.

Estado reage a “imposição de ditadura”, diz delegado

Nilson Farias também ressaltou que operações foram desencadeadas na região para reprimir a atuação da facção e devolver segurança aos moradores.

“Não adianta tentar impor uma uma ditadura num local que o Estado do Mato Grosso não vai aceitar. A Polícia Militar, a Polícia Civil e o Governo têm deixado claro que nenhum grupo criminoso vai controlar áreas específicas em Mato Grosso”, afirmou.

As investigações identificaram vários membros envolvidos no crime, e diligências seguem em andamento para localizar e prender todos os participantes.

Veja vídeo:

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