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Polícia Quinta-feira, 01 de Dezembro de 2022, 13:57 - A | A

Quinta-feira, 01 de Dezembro de 2022, 13h:57 - A | A

OPERAÇÃO HERMES (HG)

Empresários, garimpos e mineradoras são alvo da Polícia Federal em MT; veja lista

Gabriel Soares

Editor-Chefe | Estadão Mato Grosso

Tarley Carvalho

Editor-adjunto

Empresários, garimpos e mineradoras de Mato Grosso foram alvo da Polícia Federal nesta manhã de quinta-feira, 1º de dezembro, por suposto envolvimento em contrabando de mercúrio no Brasil. A investigação também aponta envolvimento de pessoas de outros estados brasileiros num grande esquema criminoso, cujo prejuízo ao meio ambiente ultrapassa os R$ 1 bilhão. Ao todo, a Polícia Federal cumpriu mandados contra 30 pessoas em Mato Grosso, entre prisões preventivas, temporárias e busca e apreensão.

O jornal Estadão Mato Grosso teve acesso ao inquérito policial, que tramita sob segredo de justiça. O documento aponta que parte significativa do material contrabandeado foi utilizado em garimpos de Aripuanã, no norte do estado, região também conhecida como “Nova Serra Pelada”.

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O município não é o único a ter garimpo e a receber a Polícia Federal nesta manhã. Os agentes também cumpriram mandados em Poconé, Nossa Senhora do Livramento, Sinop e Rondonópolis, além de Cuiabá e Várzea Grande, na Região Metropolitana.

Os envolvidos são investigados por crimes contra o meio ambiente, comércio ilegal de mercúrio, organização e associação criminosa, receptação, contrabando, falsidade documental e lavagem de dinheiro.

A gravidade do caso se dá devido à alta contaminação do mercúrio em todo o meio ambiente. Seu mau uso pode contaminar os rios em que são utilizados e ser ingerido por peixes, humanos e outros animais. O mercúrio pode causar danos irreversíveis, inclusive no sistema nervoso, podendo levar suas vítimas à morte.

O Brasil não faz extração de mercúrio da natureza. Portanto, o material que circula no país é importado ou fruto de reciclagem de lâmpadas e materiais odontológicos.

As investigações apontam que os envolvidos lançavam dados falsos no sistema de regulamentação, gerando créditos virtuais fictícios e, assim, maquiando o comércio e transporte de mercúrio sem origem real.

O material era lançado como fruto de reciclagem, mas na verdade tinha sua origem na importação ilegal.

Até o momento, a estimativa é que mais de duas toneladas de mercúrio tenham sido contrabandeadas pela organização criminosa.

Ao todo, a Polícia Federal cumpriu cinco mandados de prisão preventiva, nove de prisão temporária e 49 de busca e apreensão. Além de Mato Grosso, a PF também cumpriu mandados em Goiás, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina e São Paulo.

Também foram cumpridos o sequestro e indisponibilidade de bens dos investigados em mais de R$ 1,1 bilhão.

A operação foi deflagrada pela Polícia Federal em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A ação recebeu o nome de Hermes (Hg) em referência ao material contrabandeado. Hermes é o deus romano equivalente ao deus Mercúrio, da mitologia grega. Já Hg é o símbolo do material na tabela periódica.

Além do cumprimento de mandados, a operação ainda realiza a fiscalização das áreas de mineração pelo Ibama, com a possibilidade de aplicação de multas, suspensão de atividades e embargos. Pessoas – físicas e jurídicas – envolvidas com a importação e comércio de mercúrio, recicladoras de resíduos e mineradoras de ouro também podem ser investigadas em meio à fiscalização.

VEJA A LISTA DOS ALVOS EM MATO GROSSO
1. Cooperativa de Mineradores e Garimpos da Região de Aripuanã: compradora de mercúrio em empresa MetalMS (Aripuanã-MT);
2. Antonio Vieira da Silva: sócio presidente da Cooperativa Aripuanã (Aripuanã-MT);
3. Garimpo referente à Cooperativa Aripuanã (Aripuanã-MT);
4. Alain Stephanie Mineração: compradora de mercúrio da empresa JSTorres (Poconé-MT);
5. Salinas Gold Mineração LTDA: compradora de mercúrio das empresas do Grupo Veggi (Poconé-MT);
6. VM Mineração e Construção Eireli – EPP: compradora de mercúrio da empresa JSTorres (Cuiabá e Nossa Senhora do Livramento-MT);
7. Marcelo Massaru Takahashi: proprietário da VM Mineração e comprador de mercúrio (Cuiabá-MT);
8. Ronny Moraes Costa: comprador de mercúrio da empresa JSTorres (Cuiabá, Poconé e Nossa Senhora do Livramento-MT);
9. Cristiana das Dores Souza: sócia da Salinas Gold Mineração Ltda (Cuiabá-MT);
10. Valdinei Mauro de Souza: comprador de mercúrio das empresas do Grupo Veggi (Cuiabá-MT);
11. ADMF Comércio e Serviços LTDA-ME: empresa do Grupo Veggi comercializadora de mercúrio (Cuiabá-MT);
12. Quimar Comércio de Produtos Químicos e Tratamento: empresa do Grupo Veggi, comercializadora de mercúrio (Cuiabá-MT);
13. Hiposal Comércio de Produtos Químicos e Tratamento de Água LTDA ME: empresa do Grupo Veggi com mesmo endereço de outras, utilização de mesmo IP, com quadro social e destinação de recursos suspeitos (Cuiabá-MT);
14. Arnold Silva Veggi: investigado (Cuiabá-MT);
15. Feliz Lopez Bress: investigado (Cuiabá-MT);
16. Aloberto Veggi Atala: responsável legal no STF/APP e Receita Federal pela Hiposal Comércio de Produtos Químicos e Tratamento de Água LTDA-ME (Cuiabá-MT);
17. Bruna Damasceno Veggi: investigada (Cuiabá-MT);
18. Imobiliária Satelite LTDA: empresa ligada ao Grupo Veggi, proprietária do IP de acesso a cadastros de outras empresas do grupo e da JSTorres;
19. Edgar dos Santos Veggi: investigado (Cuiabá-MT);
20. Imobiliária Paiaguás LTDA: pertencente ao Grupo Veggi e destinatária de recursos com movimentação financeira supostamente incompatível (Cuiabá-MT);
21. Edy Veggi Soares: investigado (Cuiabá-MT);
22. Ali Veggi Atala: investigado (Cuiabá-MT);
23. Ali Veggi Atala Junior: filho de Ali Veggi Atala, contato responsável pelo IP utilizado na Imobiliária Satélite (Cuiabá-MT);
24. Jhenyfer Silva Torres: sócia formal da J.S.Torres (Cuiabá-MT);
25. André Ponciano Luiz: investigado (Cuiabá-MT);
26. Patrike Noro de Castro: investigado (Cuiabá-MT);
27. Luciano Reginaldo Monteiro: proprietário da R2 Transportes e Terraplanagem LTDA (Sinop-MT);
28. R2 Transportes e Terraplanagem LTDA: empresa cuja rota é o sul do Pará e que possui transações financeiras com Patrick, havendo suspeita de que seja a empresa que transporta o mercúrio (Várzea Gramde-MT);
29. Edilson Rodrigues de Campos: investigado (Cuiabá);
30. Anderson Ferreira de Farias: investigado (Rondonópolis-MT).

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