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Opinião Terça-feira, 21 de Dezembro de 2021, 06:00 - A | A

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EDITORIAL - 21/12/2021

Um tiro no pé

Da Editoria

Editoria | Estadão Mato Grosso

A absurda onda de ataques de países desenvolvidos à agropecuária brasileira é uma ameaça para a segurança alimentar global, pois lançam incertezas e prejuízos sobre um dos principais responsáveis pela produção de alimentos no mundo, influenciando ainda o fornecimento de matérias-primas e toda sorte de commodities. No fim, são nada mais que ataques coordenados com objetivo puramente econômico, uma tentativa de desvalorizar nossos produtos, seja para compra-los mais barato ou por puro protecionismo econômico.

Fosse a preocupação ambiental o motivo real de tantos ataques, já teriam esses países - em especial a União Europeia - tomado iniciativas para regulamentar o mercado de carbono ou pagar pelos serviços ambientais que nós, brasileiros, prestamos ao mundo. Fosse real a preocupação com o ambiente, esses países teriam conseguido chegar a algum lugar com as 26 cúpulas do clima realizadas pela ONU. Como bem sabemos, nada aconteceu.

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O que fica evidente a quem observa atentamente o mercado é uma tentativa constante de desvalorizar a produção brasileira, principalmente neste momento em que a agropecuária nacional é a mais pujante do mundo. Que o digam as absurdas - e recorrentes - tentativas da União Europeia de criar embargo para a produção brasileira, sob o pretexto de preocupação ambiental. Ora, basta ver que não há na União Europeia um país que preserve mais a mata nativa do que o Brasil. Ademais, a proposta absurda dos europeus é jogar todo mundo em uma vala comum, como se todos fossem criminosos ambientais - e não uma pequena minoria.

Dados do Eurostat, órgão que reúne as estatísticas oficiais do bloco europeu, apontam que a média de cobertura florestal na União Europeia é de 43,5%, enquanto o Brasil mantém preservado mais de 62% do seu território. O patamar de preservação brasileiro só é superado pela Finlândia (69,9 %), Suécia (67%) e Eslovênia (62,5%). Os números são referentes a 2018 e sofreram queda na comparação com o levantamento anterior, realizado em 2015, o que demonstra que o desmatamento também tem avançado no Velho Continente.

Aqueles que conspiram contra o agronegócio brasileiro podem estar dando um ‘tiro no pé’. Afinal, o Brasil tem aumentado sua produtividade consistentemente e já se firmou no mercado internacional como o maior player na produção de alimentos. Fechar as portas para nossos produtos certamente levará qualquer país a enfrentar uma crise na oferta, que pode resultar em escassez e aumento de preços dos alimentos.

O que se vê é que, além de injustificáveis, os ataques à agropecuária brasileira não têm qualquer ligação com a preservação ambiental. Abaixo das camadas de maquiagem, vê-se claramente a mão do mercado operando para tirar vantagem dos brasileiros, usando uma forma vil de competitividade que existe desde os tempos primordiais.

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