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Opinião Sábado, 27 de Novembro de 2021, 06:00 - A | A

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EDITORIAL - 27/11/2021

O vírus inflacionário

Da Editoria

Editoria | Estadão Mato Grosso

Superada a marca de 10% em 12 meses, a inflação é o grande tormento para a população brasileira e nem mesmo Mato Grosso escapa ileso dos prejuízos trazidos pela perda recorde no poder de compra. Vendo o orçamento ficar cada vez mais espremido, as famílias cuiabanas se mobilizam para conter os gastos e reduziram a intenção de compras para o final de ano. Para o comércio é uma péssima notícia. Duas das mais importantes datas para os lojistas, a Black Friday e o Natal, devem proporcionar ganhos muito menores que aqueles previstos no meio do ano, quando o país superava a segunda onda de covid-19 e o otimismo imperava.

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Conforme pesquisa que mede a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) de Cuiabá, houve queda de 1,2% na intenção de consumo durante o mês de novembro, na comparação com o mês anterior. Medido em uma escala de 0 a 200, o ICF das famílias cuiabanas marcou 72,4 pontos. Apesar disso, ainda permanece em patamar melhor que no mesmo período do ano passado, quando estava em 68,4 pontos.

Estudo realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) dá uma dimensão do prejuízo que a inflação irá causar ao comércio brasileiro neste final de ano. Conforme o levantamento, as vendas do varejo neste final de ano devem ficar R$ 44,7 bilhões abaixo dos R$ 792 bilhões estimados no começo de 2021. Os comerciantes já vêm sentindo o resultado disso há alguns meses, com quedas consecutivas nas vendas. Segundo levantamento do IBGE, agosto e setembro registraram queda nas vendas, fechando o 3º trimestre no vermelho. Outubro apresentou leve melhora, abaixo de 1%.

Além do prejuízo ao comércio, a redução nas vendas durante o final de ano complica também a situação da indústria nacional. É que o bom desempenho do varejo na reta final do ano causa a recomposição dos estoques e estimula a produção industrial, o que ajuda a dar um impulso na economia durante um dos piores períodos do ano - o começo. Diante da possibilidade de que ocorra o resultado oposto, já há quem projete um cenário pior para a economia em 2022.

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A crise energética continua sendo a principal vilã, atrelada à escorchante política de preços da Petrobras. Enquanto os brasileiros seguem comprando combustíveis em preços dolarizados, a economia nacional sucumbe e os acionistas da petroleira estatal têm motivo de sobra para comemorar. E assim caminhamos para o último mês do ano com a perspectiva de um país profundamente desigual. Os mais prejudicados, como sempre, são os trabalhadores.

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