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Opinião Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2026, 09:14 - A | A

Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2026, 09h:14 - A | A

CARLOS BOURET

Fevereiro Roxo é um lembrete para cuidarmos da saúde

Carlos Bouret*

Durante muito tempo, o Alzheimer foi compreendido quase exclusivamente como uma consequência natural do envelhecimento. Hoje, essa percepção já não dá conta da complexidade da doença. O Fevereiro Roxo, campanha nacional de conscientização sobre o Alzheimer e outras doenças neurodegenerativas, nos convida a ampliar o olhar: mais do que uma enfermidade associada à velhice, o Alzheimer é também reflexo das transformações profundas no modo como vivemos.

O estilo de vida moderno, marcado pelo excesso de telas, estresse crônico, privação de sono, sedentarismo e pelo crescimento das doenças mentais, tem impacto direto sobre a saúde do cérebro. Esses fatores não apenas contribuem para o aumento no número de diagnósticos, como também influenciam a forma como a doença se manifesta. Cada vez mais, o Alzheimer é identificado precocemente e, em muitos casos, seus primeiros sinais vão além da perda de memória.

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Dificuldades para planejar tarefas simples, organizar despesas, seguir uma receita, tomar decisões cotidianas, alterações de linguagem, mudanças de comportamento, apatia, irritabilidade e desorientação espacial costumam ser sintomas iniciais frequentemente ignorados. Não raramente, esses sinais são atribuídos ao estresse, à ansiedade ou à depressão, o que atrasa o diagnóstico e o início do acompanhamento adequado.

É verdade que o envelhecimento populacional segue sendo o principal fator de risco. Quanto mais se vive, maior a probabilidade de desenvolver algum tipo de demência. Entretanto, os avanços da ciência e o maior acesso à informação também explicam o aumento dos diagnósticos. Hoje, exames laboratoriais capazes de identificar proteínas associadas ao Alzheimer, aliados a ressonâncias magnéticas com marcadores específicos e ao uso de inteligência artificial no rastreio cognitivo, permitem detectar a doença de forma mais precoce e precisa.

Outro ponto que merece atenção é o Alzheimer de início precoce, que pode surgir entre os 40 e 60 anos. Embora mais raro, esse tipo costuma ter evolução mais rápida e provoca impactos profundos na vida familiar, social e profissional, por atingir pessoas em plena idade produtiva.

Apesar dos avanços no diagnóstico e no tratamento, incluindo terapias que atuam diretamente na biologia da doença, o Alzheimer ainda não tem cura. Por isso, a prevenção segue sendo o caminho mais eficaz. Ela passa, necessariamente, pela adoção de hábitos saudáveis: cuidar do sono, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas, estimular a mente, preservar a saúde cardiovascular e buscar apoio para a saúde emocional.

Na Unimed Cuiabá, entendemos que falar de Alzheimer é falar de cuidado integral. Por meio do Viver Bem, nosso núcleo de medicina preventiva, oferecemos acompanhamento desde o diagnóstico até o cuidado contínuo do paciente e de sua família. São realizados testes cognitivos, exames para exclusão de outras causas, orientações sobre manejo da doença e suporte permanente de uma equipe multiprofissional. Também disponibilizamos cursos on-line de educação em saúde para cuidadores, fortalecendo a rede de apoio essencial para quem convive com a doença.

O Fevereiro Roxo nos lembra que a memória não é apenas um arquivo do passado, ela é parte fundamental de quem somos. Alzheimer não escolhe idade, e a vida não dá avisos. Cada memória preservada hoje é um investimento no amanhã. Cuidar da mente, do corpo e das relações é um gesto de responsabilidade com o presente e de respeito com o futuro.



* Carlos Bouret é diretor-presidente da Unimed Cuiabá e médico urologista.

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