Fazer o bem parece algo simples. Desde cedo, aprendemos, e aqui também me incluo, que ajudar o outro é o caminho certo, seja por valores familiares, por princípios morais ou simplesmente pela fé. Mas, quando paramos para pensar com mais calma, surge uma pergunta importante: por que fazemos o bem?
A resposta nem sempre é tão óbvia quanto parece. Quando olhamos com mais atenção, percebemos que o ato de ajudar também diz muito sobre quem ajuda. Existe, muitas vezes, um retorno interno, uma sensação de tranquilidade ou de dever cumprido.
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Mas essa percepção abre espaço para uma reflexão mais profunda. Se fazer o bem também nos faz sentir melhor, será que, em alguma medida, fazemos isso por nós mesmos? É possível que, por trás de muitos gestos, exista um certo egoísmo camuflado, não no sentido de anular a importância da atitude, mas de reconhecer que o bem também pode atender a uma necessidade interna de se sentir mais leve ou em paz consigo mesmo.
Em diferentes religiões, o bem está ligado à evolução, ao crescimento interior e à forma como nos relacionamos com o outro e com o mundo. Fazer o certo, evitar o mal, buscar equilíbrio.
Muitos ensinamentos, como os propagados por Cristo, apontam para algo mais profundo: amar o próximo como a ti mesmo, de forma intensa e verdadeira.
Esse tipo de postura não depende de troca. Não é feita esperando reconhecimento ou recompensa. É um convite a fazer o bem porque ele é, por si só, o caminho.
Não compreendo muito sobre filosofia, mas, como uma “religiosa afastada”, já estudei um pouco e cheguei a um texto de Immanuel Kant que, de forma resumida, dizia que agir esperando algum tipo de retorno é uma atitude pequena.
Para ele, fazer o bem deveria ser algo desinteressado. Fazer o bem simplesmente porque é o certo a se fazer, e não porque isso garante qualquer tipo de recompensa, como uma vaga no céu.
Essa reflexão leva a uma pergunta simples, mas incômoda: se não existisse nenhuma recompensa depois de tudo, você ainda escolheria fazer o bem?
Voltando às ideias de Kant, o que vale mais: o céu estrelado acima de mim ou a lei moral dentro de mim?
FERNANDA ESCOUTO é jornalista









