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Judiciário Sexta-feira, 29 de Outubro de 2021, 17:36 - A | A

Sexta-feira, 29 de Outubro de 2021, 17h:36 - A | A

OPERAÇÃO CUPINCHA

Propina serviu para pagar lancha e viagens de ex-secretário ao Rio de Janeiro

Jefferson Oliveira

Repórter | Estadão Mato Grosso

A operação Cupincha desencadeada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (28) desmantelou um grande esquema de desvio de recursos públicos e pagamentos de propinas por parte de empresas interessadas em assumir a prestação de serviços em Cuiabá.

O juiz Federal da Quinta Vara em Mato Grosso, Jeferson Schneider, que autorizou as ordens de prisão, detalhou um esquema envolvendo o ex-secretário de saúde de Cuiabá, Célio Rodrigues, e a empresa Ventura Prestadora de Serviços Médicos Hospitalares Ltda, que pertence a Liandro Ventura da Silva, atualmente foragido.

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Quando a polícia apreendeu o celular do ex-secretário na primeira fase da operação, descobriu a movimentação financeira em forma de propina. A Ventura foi subcontratada para uma chamada “quarteirização” pela empresa Ultramed Serviços Médicos. Formalmente, a empresa Ultramed recebeu a quantia de R$ 22 milhões da Prefeitura de Cuiabá entre os anos de 2019 a 2021.

Para entrar no “esquema”, a Ventura passou a custear despesas pessoais de Célio como por exemplo, pagamento de IPTU, pagamento de um contrato de compra e venda de um imóvel, taxa condominial de uma casa e despesas de uma lancha na Marina Morro do Chapéu, lago do Manso e até mesmo passagens aéreas para Célio ir ao Rio de Janeiro.

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Além de ser proprietário da Ventura, Liandro também aparece como um dos sócios da Cervejaria Cuyabana, onde os policiais federais fizeram buscas de documentos na quinta-feira.

A Operação

Como se apurou na primeira fase da Operação Curare, um grupo empresarial, que fornece serviços à Secretaria Municipal de Saúde do Município de Cuiabá e que recebeu, entre os anos de 2019 e 2021, mais de 100 milhões de reais, manteve-se à frente dos serviços públicos mediante o pagamento de vantagens indevidas, seja de forma direta ou por intermédio de empresas de consultoria, turismo ou até mesmo recém transformadas para o ramo da saúde.

Após o ingresso dos recursos nas contas das empresas intermediárias, muitas vezes com atividades econômicas incompatíveis, os valores passavam a ser movimentados, de forma fracionada, por meio de saques eletrônicos e cheques avulsos, de forma a tentar ocultar o real destinatário dos recursos.

A movimentação financeira também se dava nas contas bancárias de pessoas físicas, em geral vinculadas às empresas intermediárias, que se encarregavam de igualmente efetuar saques e emitir cheques, visando a dissimulação dos eventuais beneficiários.

Paralelamente, o grupo empresarial investigado na primeira fase da Operação Curare promovia supostas “quarteirizações” de Contratos Administrativos, que viriam a beneficiar, em última instância, o servidor responsável pelas contratações com a Secretaria Municipal de Saúde e Empresa Cuiabana de Saúde Pública, incluindo o pagamento de suas despesas pessoais.

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