A Justiça de Mato Grosso manteve a prisão preventiva do advogado Paulo Roberto Gomes dos Santos, acusado de atropelar e matar a idosa Ilmis Dalmis Mendes da Conceição, no dia 20 de janeiro, na Avenida da Feb, em Várzea Grande. A decisão foi proferida nesta terça-feira, 31 de março, pela juíza Henriqueta Fernanda Lima, do Núcleo do Juiz de Garantias de Cuiabá.
O investigado responde por homicídio e fuga do local do acidente. Conforme as apurações, ele conduzia uma Fiat Toro em alta velocidade pela Avenida da FEB quando atingiu a vítima, que atravessava a via. Com o impacto, o corpo da idosa foi arremessado para o outro lado da avenida e acabou sendo atingido novamente por outro veículo, uma Fiat Strada. Após o atropelamento, o motorista fugiu sem prestar socorro.
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A defesa pediu a revogação da prisão, alegando excesso de prazo, já que o inquérito policial foi concluído, mas o Ministério Público ainda não ofereceu denúncia. No entanto, a magistrada rejeitou o pedido, destacando que a demora decorre de um conflito de competência em análise no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que irá definir se o caso será tratado como homicídio doloso.
Na decisão, a juíza ressaltou a gravidade concreta do crime, a omissão de socorro e o histórico criminal do acusado como fundamentos para a manutenção da prisão, apontando risco à ordem pública e à aplicação da lei.
Laudos periciais indicam que o advogado tinha plena visibilidade da via, com cerca de 185,5 metros de distância para visualizar a vítima, o que permitiria evitar o atropelamento. Ainda assim, não houve qualquer tentativa de frenagem ou desvio.
Os elementos foram agravados pelo próprio relato do investigado, que confessou ter feito uso do medicamento Mounjaro antes de dirigir, o que, segundo ele, poderia ter afetado sua consciência. Além disso, ele admitiu que trafegava acima da velocidade permitida e chegou a sugerir que a vítima teria provocado o acidente.
Outro ponto destacado na decisão é o histórico criminal de Paulo Roberto, que já possui condenações por dois homicídios — o assassinato de uma ex-amante e de um delegado — além de registros por uso de documento falso.
Atualmente, ele está preso na unidade prisional da Mata Grande, em Rondonópolis.
Histórico de condenações
O advogado foi condenado em 2006 a 19 anos de prisão pelo assassinato de Rosimeire Maria da Silva, de 19 anos, morta em 2004. Segundo o Ministério Público, o crime ocorreu em um motel no município de Juscimeira, onde a vítima foi asfixiada. O corpo foi esquartejado e partes foram descartadas em rios da região.
Durante as investigações, também foi constatado que ele utilizava identidade falsa e já era procurado pela morte de um delegado no Rio de Janeiro, crime ocorrido em 1998. Na ocasião, ele, que era policial civil, atirou contra o superior durante uma discussão dentro de uma viatura.
Pelo assassinato do delegado, Paulo Roberto foi condenado a 13 anos de prisão ainda em 2006.
Em 2014, ele foi excluído dos quadros da Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso (OAB-MT), em razão das condenações. Apesar disso, registros indicam que ele ainda constava como advogado ativo no sistema nacional da entidade. Recentemente, a atual gestão da OAB-MT determinou sua suspensão da advocacia, enquanto o caso segue em análise no Tribunal de Ética.









