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Judiciário Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2026, 10:01 - A | A

Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2026, 10h:01 - A | A

FORJANDO ÁLIBI

Enquanto Raquel Cattani era assassinada, ex-marido construía álibi em prostíbulos

Ex-marido curtia cabaenquanto o irmão assassinava Raquel

Maiara Max

Repórter | Estadão Mato Grosso

Daffiny Delgado

Repórter | Estadão Mato Grosso

O Tribunal do Júri de Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde, pela morte da produtora rural Raquel Maziero Cattani, iniciou na manhã desta quinta-feira, 22 de janeiro, no Fórum da Comarca de Nova Mutum. Durante a primeira oitiva, o delegado Guilherme Pompeo Pimenta Negri afirmou que Romero, ex-marido da vítima, teria passado por casas de prostituição para construir um álibi no dia do crime.

O Estadão Mato Grosso acompanha o julgamento in loco.

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Segundo o delegado, as investigações apontaram que Romero esteve em pelo menos três estabelecimentos do tipo e permaneceu na companhia de funcionários desses locais, o que teria servido para sustentar sua versão de deslocamento e afastá-lo da cena do crime no horário do homicídio. Imagens de câmeras também registraram o veículo do réu saindo de Tapurah em direção à região do Pontal do Marape, onde Raquel foi assassinada.

O julgamento começou por volta das 8h20, com a leitura do termo de apregoamento. A sessão é presidida pela juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski, titular da 3ª Vara da Comarca de Nova Mutum. O Conselho de Sentença é formado por sete jurados, sendo dois homens e cinco mulheres.

Romero e Rodrigo respondem pelo assassinato de Raquel Cattani, morta a facadas dentro da própria residência, na zona rural do município, no dia 18 de julho de 2024. Conforme a denúncia do Ministério Público, Rodrigo é acusado de executar o crime, enquanto Romero responde como autor intelectual.

Em depoimento, o delegado detalhou que a cena do crime apresentava sinais de arrombamento, com uma janela dos fundos amassada, indicando o ponto de entrada do autor. Uma televisão foi encontrada do lado de fora da casa, com marca de bota, e apenas o quarto da vítima havia sido revirado, o que levantou a suspeita de tentativa de forjar um roubo.

Raquel foi encontrada caída entre o banheiro e o quarto do casal, com diversas lesões de defesa nos braços e antebraços. Vestígios de sangue indicaram que o autor circulou descalço dentro da residência após o ataque.

Conforme relatado pelo delegado, ao longo das apurações iniciais, a Polícia Civil descartou a presença de Romero no local no momento do crime, justamente por conta do álibi detalhado apresentado. A partir disso, a investigação avançou sobre provas técnicas e digitais, incluindo análise de dados telefônicos e vestígios periciais.

Ainda segundo o depoimento, Rodrigo Xavier Mengarde confessou que ficou à espreita da vítima dentro da residência. Ele teria arrombado uma janela, aguardado Raquel chegar e, após ser percebido pelo cheiro, surpreendido a produtora rural e desferido os golpes de faca. Depois do crime, teria forjado a cena e fugido em uma motocicleta.

A análise das Estações Rádio-Base (ERBs) confirmou toda a movimentação de Rodrigo, desde a chegada ao local até a fuga, reforçando a confissão e a dinâmica do homicídio, segundo o delegado.

O júri segue ao longo do dia, com a oitiva de testemunhas, interrogatório dos réus e, ao final, a decisão do Conselho de Sentença.

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