O ex-procurador-geral de Justiça de Mato Grosso, José Antônio Borges Pereira, solicitou a investigação do repasse de R$ 2,7 milhões feito por empresas e entidades privadas ao Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) entre 2024 e 2025. No entanto, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) indeferiu o pedido. A decisão foi publicada no Diário Eletrônico do órgão nesta segunda-feira (30).
O caso envolve recursos destinados ao projeto institucional “Diálogos com a Sociedade”, que promove entrevistas públicas com membros da instituição em um espaço instalado dentro de um shopping em Cuiabá.
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Na denúncia apresentada por Borges, ele apontou possível conflito de interesses na origem dos recursos. Segundo o ex-procurador, parte dos patrocinadores atua em setores frequentemente fiscalizados pelo Ministério Público, como agronegócio, construção civil e exploração madeireira. Além disso, afirma que essas entidades figuram como parte contrária em ao menos oito ações judiciais e seis inquéritos civis conduzidos pelo próprio órgão.
Ainda conforme a denúncia, os repasses foram formalmente feitos à Associação Mato-Grossense do Ministério Público, entidade de classe responsável pela execução financeira do projeto. Ainda assim, o conteúdo e a estrutura da iniciativa estão diretamente ligados ao Ministério Público, o que, na avaliação do denunciante, pode comprometer a percepção de independência institucional.
Entre os financiadores citados estão a Aprosoja-MT, a Ampa e o Cipem. Também constam contribuições de grandes grupos do agronegócio, como a Amaggi.
Apesar das alegações, o conselheiro Clementino Augusto Ruffeil Rodrigues, do CNMP, indeferiu o pedido do ex-chefe do MPMT.








