Celebrado na segunda segunda-feira do mês de fevereiro, o Dia Internacional da Epilepsia chama a atenção para uma das doenças neurológicas crônicas mais comuns no mundo e reforça a importância da informação correta para o cuidado e a redução do preconceito.
A epilepsia é uma condição que afeta o cérebro e pode provocar crises repetidas ao longo da vida, causadas por alterações temporárias na atividade elétrica cerebral. Essas crises podem se manifestar de diferentes formas e nem sempre envolvem convulsões. “As crises epilépticas são eventos súbitos e, na maioria das vezes, de curta duração, mas podem causar grande impacto emocional em quem vivência ou presencia a situação”, explica o neurologista do Hospital São Mateus, Raphael Ridolfi.
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Segundo dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgados em publicações de fevereiro de 2026, cerca de 50 milhões de pessoas convivem com epilepsia em todo o mundo, o que torna a condição um relevante problema de saúde pública global. Apesar disso, a doença ainda é cercada por mitos que dificultam o diagnóstico precoce e o acesso ao tratamento adequado.
De acordo com o especialista, algumas pessoas apresentam perda de consciência, movimentos involuntários ou confusão mental por alguns instantes, enquanto outras têm manifestações mais sutis, que podem passar despercebidas. Por isso, o diagnóstico depende de uma avaliação clínica detalhada, com a descrição dos episódios por familiares ou testemunhas, além do apoio de exames como o eletroencefalograma e exames de imagem, que ajudam a identificar o tipo de epilepsia e orientar o tratamento.
Nem toda crise isolada significa epilepsia. “Uma crise única, associada a uma causa bem definida, como hipoglicemia ou alterações metabólicas, não caracteriza epilepsia. A condição é definida pela ocorrência de mais de uma crise, com intervalo mínimo de 24 horas, sem um fator desencadeante evidente”, esclarece Ridolfi. Estima-se que cerca de 10% da população terá ao menos uma crise epiléptica ao longo da vida, mas apenas cerca de 1% convive com epilepsia de forma recorrente.
Uso correto da medicação é essencial
O acompanhamento médico e o uso correto da medicação são fundamentais para o controle da doença. Interromper ou esquecer o tratamento aumenta o risco de novas crises, quedas, acidentes e internações. Com tratamento adequado, a maioria das pessoas pode levar uma vida ativa, com retorno às atividades habituais e poucas restrições.
Saber como agir diante de uma crise também faz diferença. A orientação é manter a calma, deitar a pessoa em local seguro, virá-la de lado para evitar engasgos e marcar o tempo da crise, que geralmente dura entre três e cinco minutos. Não se deve colocar objetos ou as mãos na boca do paciente, nem tentar conter os movimentos.
Para Raphael Ridolfi, combater o estigma é tão importante quanto tratar a doença. “A epilepsia não é crise espiritual, nem sinal de loucura. É uma condição neurológica que pode e deve ser diagnosticada e tratada. Informação e respeito são essenciais para garantir qualidade de vida e inclusão social aos pacientes.”













