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Geral Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2026, 16:37 - A | A

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MUDOU O TOM

Após atacar a imprensa, Demilson diz que não vai sair atirando e que há um traidor na Câmara

Mudança de postura ocorreu depois da circulação de áudio.

Da Redação

Depois da repercussão negativa dos áudios vazados em que prometia partir “com tudo” contra a imprensa, o vereador por Cuiabá, Demilson Nogueira (PP), resolveu pisar no freio. Em novo pronunciamento, adotou um discurso sereno, repetiu diversas vezes a palavra “tranquilidade” e afirmou que “não afrontou a ninguém”.

A mudança de tom chama atenção.

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No áudio que circulou nos bastidores, o discurso era de enfrentamento. Já na tribuna, o vereador falou em diálogo “olho no olho”, lamentou a existência de alguém que teria “traído o grupo” e garantiu que não vai “sair atirando”. Disse ainda que foi alvo de uma “saraivada de bala” — expressão forte para quem, dias antes, falava em contra-ataque.

A pergunta que fica é simples: o que mudou?

Se a conversa vazada era “desprovida de qualquer sentimento de agressividade”, como afirmou agora, por que a necessidade de anunciar reação dura contra veículos de comunicação? Se não houve afronta, por que o discurso inicial soou como ameaça?

A fala mais recente parece muito mais um movimento de contenção de danos do que um esclarecimento espontâneo. Quando a repercussão pega mal, o roteiro costuma ser o mesmo: nega-se o tom, relativiza-se a fala e transfere-se a culpa para quem vazou.

Demilson afirmou que quer tratar o assunto de forma presencial, com a Casa funcionando normalmente. Justo. O debate público deve mesmo ser feito às claras. Mas é importante lembrar que imprensa não é adversária política — é parte essencial da democracia.

Tentar enquadrar sites, intimidar veículo ou transformar crítica em “traição” de grupo não combina com mandato popular.

No fim das contas, o vereador diz que não afrontou ninguém. Já a sociedade ouviu outra coisa. E áudio, diferente de discurso posterior, não costuma ter interpretação criativa.

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