Este ano as eleições municipais tiveram um ar diferente, até por conta da pandemia do novo coronavírus, diversas medidas de biossegurança foram tomadas para evitar a proliferação do vírus. A campanha foi mais curta e realizada pela maioria dos candidatos pelas redes sociais, diferente do corpo a corpo que acontecia em outras épocas, aliado a isso, teve a questão da biometria que prejudicou candidatos que possuem a base periférica em Cuiabá.
Em Mato Grosso, 168.022 eleitores tiveram o título cancelado por não terem comparecido no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) no período previsto para fazer o cadastramento da biometria. Com o coronavírus, o uso da biometria foi cancelado no dia da votação, mas o eleitor que não se cadastrou, ficou impedido de votar no dia 15, o que frustrou o sonho de muitos candidatos de alcançarem uma vaga na Câmara Municipal de Cuiabá.
Na capital 85.432 eleitores não puderam votar por conta do cancelamento do título. Nas urnas, esse cancelamento, somada a abstenção refletiu no resultado e candidatos que na eleição passada foram eleitos com mais de 5 mil votos, este ano não conseguiu voltar a câmara.
O vereador Ricardo Saad (PSDB) que não conseguiu ser reeleito, citou a abstenção, a biometria que também o atrapalhou e a grande quantidade de candidatos, que acabou pulverizando os votos.
“Essa foi uma eleição atípica e isso é uma realidade, não tem como negar, mas ainda estou vereador até o dia 31 de dezembro, mas isso (biometria e abstenção), foi o que dificultou é muita gente que ficou sem votar, sabe Deus de onde é, mas em uma reunião feita no período eleitoral, de 10 pessoas, cinco não tinham feito a biometria, então só aí eu perdi 50% dos votos e assim foi somado ao medo do Covid”, disse Saad que conseguiu 1.605 votos.
Outro vereador que citou a questão da biometria, foi Adevair Cabral (PTB) que foi reeleito com 3.622 votos, obtendo 870 votos a menos que em 2016. Adevair que tem a maioria da sua base na região da grande CPA se sentiu prejudicado, mas disse que continuou trabalhando para ocupar a única vaga do partido na casa de leis cuiabana.
Adevair ainda citou que alertou ao companheiro de partido Misael Galvão, sobre a atipicidade do pleito, porém, Misael chegou a acreditar que o partido elegeria três vereadores. Já Misael que não conseguiu se reeleger também lamentou o problema referente a biometria e disse que seu campo de atuação é nos bairros periféricos, onde a maioria dos eleitores não fizeram o cadastro, o que acabou prejudicando sua reeleição, mas aceita a decisão do voto popular e acredita na vontade de Deus.
A jornalista Oziane Rodrigues que também despontou na campanha como uma das favoritas para conquistar uma vaga na Câmara Municipal de Cuiabá, obteve 813, e também foi uma grande prejudicada por conta da biometria.
A candidata que possui reduto eleitoral na região do Jardim Liberdade, Del Rey e Osmar Cabral, atuou diretamente no corpo a corpo visitando os bairros de periferia da capital, onde ela diz que começou a sua jornada política.
“Eu sou do povo, 100% dependente das políticas públicas, usuária do SUS, meus filhos estudam em escola pública e atuou nas regiões periféricas ao lado da população que tanto necessita de olhar e atenção. No dia da votação muito dos meus eleitores alegaram que não conseguiram votar, pois o título estava cancelado e eles não sabiam, somado a nossa projeção, perdemos em torno de 500 a 600 votos, que poderia ter nos colocado na câmara”, disse a idealizadora do Hora Estendida nas creches e CMEIs.
Oziane também avaliou que os candidatos que atuam nas regiões de periferias foram os mais prejudicados com o cadastramento da biometria, mas ela salienta que saiu muito confiante com o resultado que obteve em sua primeira campanha como candidata, e disse que vai continuar trabalhando junto as comunidades de Cuiabá para no futuro poder representar a população com projetos e leis que poderão impactar a vida dos munícipes.
"Obtivemos 813 votos limpos de eleitores que confiaram no nosso projeto, no nosso trabalho e poderíamos ter obtido muito mais votos, mas infelizmente aconteceu essa situação da biometria, mas não vamos parar e vamos continuar atuando onde sempre trabalhamos, junto as pessoas e comunidades da nossa capital", pontuou.
O prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB) candidato a reeleição, também citou que esse ano a eleição foi totalmente diferente das anteriores por vários fatores, entre eles a mudança de local de votação, biometria e também a pandemia.
Chico 2000 (PL) viu este ano seus votos diminuírem mais de 50% em relação ao pleito de 2016, também por conta do cadastramento da biometria que pegou muito eleitor de surpresa. No próximo domingo (29), acontece o segundo turno da eleição em Cuiabá, e mais 83 mil eleitores que se abstiveram no primeiro turno poderão votar normalmente no segundo.
Já os mais de 85 mil que estão com o título cancelado por conta da biometria, terão que aguardar o final da eleição municipal para poder regularizar a sua situação junto ao TRE.
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