Dollar R$ 4,92 Euro R$ 5,80
Dollar R$ 4,92 Euro R$ 5,80

Economia Segunda-feira, 13 de Abril de 2026, 09:03 - A | A

Segunda-feira, 13 de Abril de 2026, 09h:03 - A | A

À MERCÊ DO CLIMA

MT projeta safra gigante de milho, mas resultado está 'nas mãos de São Pedro'

Segunda safra de milho pode alcançar 51,72 milhões de toneladas, mas atraso na semeadura aumenta risco e deixa resultado à mercê do clima

Da Redação

Redação | Estadão Mato Grosso

A segunda safra de milho em Mato Grosso avança com potencial para manter volumes elevados, mas ainda cercada por incertezas, principalmente em relação ao clima. Projeção do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) indica produção de 51,72 milhões de toneladas no ciclo 2025/26, com área estimada em 7,39 milhões de hectares e produtividade média de 116,61 sacas por hectare.

O número mantém o estado em posição de destaque na produção nacional do cereal, mas o cenário está longe de ser consolidado. Um dos principais pontos de atenção é o volume de áreas plantadas fora da janela ideal, que somam 1,17 milhão de hectares.

- FIQUE ATUALIZADO: Siga nossas redes sociais e receba informações em tempo real (WhatsAppTelegram e Instagram)

Esse atraso no plantio amplia o risco climático, já que parte das lavouras pode enfrentar períodos de menor disponibilidade hídrica em fases decisivas do desenvolvimento. A depender do comportamento das chuvas nas próximas semanas, o potencial produtivo pode ser mantido ou sofrer revisões.

A própria dinâmica da segunda safra torna esse cenário mais sensível. Diferentemente da soja, o milho é cultivado em um período de transição entre a estação chuvosa e o período seco em Mato Grosso, o que naturalmente aumenta a dependência de condições climáticas favoráveis.

Embora o levantamento do Imea não detalhe, neste momento, o desempenho por região, a tendência é que as áreas semeadas fora da janela ideal concentrem maior risco produtivo. Nessas áreas, a janela de desenvolvimento das lavouras é mais curta, o que pode comprometer o rendimento final.

Durante a apresentação dos dados, o superintendente do Imea, Cleiton Gauer, destacou que a safra atual, de forma geral, exige atenção não apenas do ponto de vista produtivo, mas também econômico. “Acho que o desafio que fica para essa temporada e também repercute ainda para a safra 26/27 vai ser a rentabilidade”, afirmou.

Segundo ele, mesmo em cenários de boa produção, fatores externos têm impacto direto no resultado do produtor. “Dados os desafios que nós produzimos uma safra com um patamar de dólar muito superior ao que nós estamos comercializando nossa produção nesse momento, e as perspectivas dadas das discussões no Oriente Médio, trazem uma perspectiva ainda pior para essa composição de custos”, pontuou.

A avaliação reforça que, além do clima, o ambiente econômico também pesa sobre a segunda safra. Custos elevados e incertezas no mercado internacional influenciam diretamente as margens e tornam o planejamento mais complexo.

O presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, também destacou a importância de dados técnicos mais precisos para orientar o produtor diante desse cenário. “O Imea tem sido muito assertivo nos números que tem trazido a nós produtores e ao mercado, trazendo mais seriedade e coerência nesse fornecimento de dados”, afirmou.

Ele ressaltou que essas informações impactam diretamente as decisões no campo. “Isso interfere diretamente no dia a dia do produtor, principalmente na projeção de preços e no planejamento para as próximas safras”, completou.

Mesmo com os desafios, Mato Grosso segue como protagonista na produção de milho, com uma segunda safra que, ao menos neste momento, mantém potencial elevado. No entanto, o resultado final ainda dependerá de fatores que fogem ao controle do produtor.

O comportamento das chuvas nas próximas semanas será decisivo para confirmar — ou não — as estimativas atuais. Até lá, o cenário segue aberto, combinando expectativa de boa produção com riscos relevantes no campo.

search