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Economia Quarta-feira, 04 de Outubro de 2023, 07:02 - A | A

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DEMANDA EM ALTA

Mato-grossenses devem atingir R$ 6,5 bilhões em gastos com saúde até o fim do ano

Cátia Alves

Editora-adjunta

Igor Guilherme

Repórter | Estadão Mato Grosso

Até o final de 2023, os mato-grossenses deverão atingir R$ 6,5 bilhões em gastos com produtos e serviços de saúde, sendo que deste total, R$ 3,4 bilhões serão gastos com medicamentos, materiais para curativos e demais produtos de saúde, normalmente adquiridos em farmácias e drogarias. O restante, R$ 3,1 bilhões, será gasto com pagamentos de convênio médico, seguro saúde, associações de assistência, tratamentos dentários, hospitalização, cirurgias, exames de laboratório, consultas médicas, óculos e lentes, mensalidades de clínicas e asilos.

Os dados são da Pesquisa IPC Maps, especializada em potencial de consumo dos brasileiros há quase 30 anos, com base em dados oficiais, divulgados nesta semana.

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A publicitária Lara Vitória contou ao Estadão Mato Grosso que há mais de um ano faz tratamento para ansiedade e depressão. Neste ano, ela viu o valor dos medicamentos aumentarem e, como não pode ficar sem tomá-los, acaba tendo parte de seu orçamento comprometido.

"Tenho o plano de saúde, que tem sua porcentagem de aumento anual, mas não tanto em comparação com os medicamentos. Tomo três remédios para tratar ansiedade e depressão, que não podem ser genéricos devido ao efeito que causam. Um ano atrás eu pagava R$ 200 nos três, mas este ano esse valor subiu para R$ 400", aponta.

O "investimento" de Lara é necessário, uma vez que ela não pode ficar sem tomar os remédios. Mas ela ressalta que os preços estão exorbitantes. "Antes comprava medicamento para 60 dias, agora compro o suficiente para apenas 30. Opto por comprar em farmácias que o convênio médico é aceito, mas ainda assim são preços exorbitantes", conta.

Ao Estadão Mato Grosso, Marcos Pazzini, responsável pelo IPC Maps, explica que do montante de R$ 6,5 bilhões, a classe A será responsável por R$ 941,8 milhões (14,5%); a classe B será responsável por R$ 2,8 bilhões (43,5%); a classe C ficará com R$ 2,1 bilhões (32,0%) e, finalmente, a classe D/E será responsável por R$ 654,9 milhões (10,1%). Para Pazzini, o aumento de gastos na Saúde também pode ser explicado pelo crescimento da população idosa, que "acaba impondo maior demanda por medicamentos e cuidados médicos". Em Mato Grosso, a população idosa, a partir dos 60 anos, representa 12,4%.

"Como sabemos, a população, em geral, tanto no Brasil quanto em MT, está com expectativa de vida maior, o que demanda mais cuidados médicos, tanto em medicamentos como em consultas médicas, o que origina um valor mais elevado nos valores das mensalidades dos convênios médicos", destaca.

Segundo ele, o envelhecimento da população, além de ser uma realidade, é uma tendência a persistir para os próximos anos, o que deve elevar ainda mais as despesas com saúde e mexer com o orçamento mensal das pessoas.

GASTOS DOS BRASILEIROS

A Pesquisa IPC Maps apontou que o setor da saúde deve movimentar no país, até o final deste ano, R$ 414,6 bilhões, o que representa um acréscimo de 7,4% em comparação a 2022. Os brasileiros devem desembolsar cerca de R$ 217,6 bilhões só com planos de saúde e tratamentos, e R$ 197 bilhões com medicamentos em 2023.

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