Após semanas de queda lenta e quase imperceptível, o etanol finalmente começou a dar sinais mais claros de recuo nos postos de Cuiabá. Nesta sexta-feira, 8 de maio, a reportagem do Estadão Mato Grosso encontrou o litro do biocombustível sendo comercializado a R$ 4,37 em postos da capital, menor valor registrado no ano até agora.
O novo preço representa uma redução de mais de 40 centavos em relação ao pico registrado em fevereiro, quando o etanol chegou a ser vendido a R$ 4,79. Só nas últimas três semanas, a queda acumulada passa de 25 centavos por litro.
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Enquanto o etanol segue em trajetória de baixa, os demais combustíveis apresentam comportamento mais estável. A gasolina comum é encontrada atualmente na faixa de R$ 6,77 em Cuiabá, praticamente no mesmo patamar observado nas pesquisas anteriores da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Já o diesel S10 está sendo vendido a cerca de R$ 6,97 por litro.
A pesquisa semanal mais recente divulgada pela ANP, referente ao período entre 26 de abril e 2 de maio, apontava preço médio de R$ 4,55 para o etanol na capital mato-grossense. Na mesma semana, a gasolina comum aparecia com média de R$ 6,69 e o diesel S10 em R$ 7,23.
Os números mostram que a queda observada agora nos postos ainda não aparece oficialmente nas estatísticas da agência reguladora, já que o novo levantamento da ANP só será concluído neste sábado, 9 de maio. Mesmo assim, o mercado já começa a operar com preços abaixo das médias nacionais recentes.
O movimento confirma uma tendência que vinha sendo desenhada desde abril, quando os combustíveis deixaram de subir após meses de forte pressão sobre os preços. O etanol, principalmente, passou a sentir os efeitos do aumento da oferta nacional com o avanço da safra 2026/27 de cana-de-açúcar.
A maior disponibilidade do produto no mercado interno vem pressionando as distribuidoras e os postos a reduzirem preços para manter competitividade. Além disso, muitas usinas intensificaram as vendas nas últimas semanas diante da expectativa de produção elevada ao longo dos próximos meses.
Outro fator que ajuda a explicar o recuo é a mudança no direcionamento da produção. Com um cenário internacional menos favorável para o açúcar, parte das usinas passou a priorizar a fabricação de etanol, ampliando ainda mais a oferta do biocombustível.
Projeções do setor apontam que a produção nacional de etanol, considerando cana e milho, pode ultrapassar 43 bilhões de litros na atual safra. O volume é significativamente maior do que o registrado nos ciclos anteriores e reforça a expectativa de continuidade da pressão baixista.
Mesmo com a redução recente, especialistas avaliam que ainda há espaço para novos recuos nas próximas semanas, principalmente se o ritmo da moagem continuar acelerado e o clima favorecer a colheita.
Além da oferta maior, o etanol também segue competitivo em relação à gasolina. Com os atuais preços praticados em Cuiabá, a paridade permanece abaixo do limite considerado vantajoso para veículos flex, mantendo o biocombustível como opção financeiramente mais atrativa para o consumidor.
Enquanto isso, a gasolina continua apresentando pouca oscilação. O combustível fóssil ainda sofre influência do mercado internacional de petróleo e da política de preços das refinarias, fatores que têm limitado quedas mais expressivas.
No caso do diesel, o mercado também segue relativamente estabilizado após os reajustes registrados nos primeiros meses do ano. Ainda assim, o preço do S10 em Cuiabá já aparece abaixo da média observada pela ANP há duas semanas, indicando acomodação gradual.













