O preço dos combustíveis voltou a subir em Cuiabá nos últimos dias, com destaque para o diesel, que registrou aumento expressivo nas bombas e já ultrapassa os R$ 7,40 por litro em alguns postos da capital. O avanço ocorre em meio à escalada das cotações internacionais do petróleo devido à guerra no Irã, e em meio a denúncias de aumentos abusivos em todo o país.
Levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), realizado entre os dias 1º e 7 de março, apontava que o diesel S-10 era vendido, em média, a R$ 6,32 por litro na capital mato-grossense, com valores variando entre R$ 5,89 e R$ 6,49. No entanto, o cenário mudou drasticamente em poucos dias. Na sexta-feira, 13 de março, o combustível já foi encontrado por R$ 7,49 por litro.
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O aumento também atingiu outros combustíveis. A gasolina comum, cujo preço médio oscilava na faixa de R$ 6,36, passou a ser encontrada por R$ 6,57.
Porém, nenhum aumento foi anunciado pelas refinarias nas últimas semanas.
Em nota recente, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Mato Grosso (Sindipetróleo-MT), a pressão sobre os preços tem origem principalmente no mercado internacional. Segundo a entidade, o custo do diesel importado subiu de forma significativa ao longo de 2026, acompanhando a valorização do petróleo e a instabilidade geopolítica global.
Dados do setor indicam que o diesel importado acumulou aumento de aproximadamente 38% desde janeiro, enquanto a gasolina registrou alta superior a 50% no mesmo período. O diesel S-10 importado apresentou valorização ainda mais intensa, com elevação superior a 60%.
De acordo com o presidente do Sindipetróleo-MT, Claudyson Martins Alves, conhecido como Kaká, os postos revendedores não têm autonomia para definir os valores finais e acabam repassando os custos que chegam das etapas anteriores da cadeia de abastecimento.
Ele explica que os preços praticados nas bombas refletem os reajustes aplicados por refinarias e distribuidoras, responsáveis pela comercialização do combustível antes da chegada aos postos.
Outro fator que contribui para a pressão nos preços é a diferença entre os valores praticados no Brasil e as referências internacionais. Estimativas do mercado apontam que o diesel vendido pelas refinarias brasileiras ainda apresenta uma defasagem significativa em relação ao preço externo, o que aumenta a expectativa de possíveis reajustes futuros.
No caso do diesel, essa diferença chega a quase R$ 2 por litro em relação ao mercado internacional. A gasolina também apresenta diferença relevante, embora menor.
A instabilidade internacional, especialmente no Oriente Médio, tem sido apontada como um dos principais motivos para a alta do petróleo. Com o barril superando a marca de US$ 100, o custo de importação dos derivados cresce rapidamente e pressiona o mercado interno.
No Brasil, cerca de 25% do diesel consumido é importado. Essa dependência faz com que oscilações externas tenham impacto direto na cadeia de abastecimento e no preço final pago pelos consumidores.
Em outras regiões do país, produtores rurais já relatam dificuldades para adquirir o combustível em pleno período de colheita. Há registros de aumento acelerado nos preços e até demora na entrega do diesel em algumas localidades, o que tem gerado preocupação no setor agrícola.
Embora a Agência Nacional do Petróleo informe que não há registro oficial de falta de combustível no país, entidades do setor alertam que o cenário internacional e a defasagem de preços podem provocar novos reajustes nas próximas semanas.
Caso ocorra uma correção mais ampla nos preços internos, o impacto nas bombas pode ser ainda maior, especialmente em estados como Mato Grosso, onde o diesel tem papel fundamental no transporte de cargas e nas atividades do agronegócio.








