A lavoura de trigo no estado trará benefícios também para as culturas já tradicionais, como a soja. Incluído no sistema de rotação de culturas, o trigo poderá ser cultivado em dois períodos ao longo do ano. O trigo de sequeiro pode ser semeado no início do ano e o trigo irrigado pode ser cultivado a partir da segunda quinzena de junho.
“Mato Grosso tem que aproveitar o período do vazio sanitário da soja para plantar o trigo irrigado. Se aproveitarmos esse potencial, passaremos de importador para exportador de trigo nos próximos anos”, alerta Hortêncio Paro, pesquisador da Empaer e coordenador da Câmara Técnica do Trigo.
- FIQUE ATUALIZADO: Siga nossas redes sociais e receba informações em tempo real (WhatsApp, Telegram e Instagram)
A técnica também servirá como um potente “herbicida” contra pragas na lavoura da soja. No entanto, há alguns obstáculos burocráticos para que a ideia avance pelos campos.
“Falta ação de governo que priorize a produção do trigo com os pivôs. Essa cultura também serve para manejo de praga da doença da soja. Com o herbicida do trigo, eu controlo a folha larga [erva daninha] com um preço baixíssimo, enquanto que com soja se gasta uma fortuna. Essa rotação de culturas que precisamos aprender a fazer: colhe a soja em fevereiro e março e maio planta o trigo irrigado (com pivô)”, defende Hortêncio.
Outras ocorrências que o plantio do trigo reduz são as de nematoide, de galha, o fungo sclerotinia (mofo branco) e ferrugem asiática. Além disso, ele reduz o custo de controle de invasoras como a folha larga e evita a erosão solar da matéria orgânica, já que a palha permanece sobre o solo e protege a vida microbiana.
AÇÃO POLÍTICA - Política nacionais também são necessárias para a autossuficiência do Brasil em relação ao trigo. Hoje, das 12 milhões de toneladas consumidas no país, metade depende de importações oriundas de países como a Argentina.
“O que existe no Brasil é uma dificuldade de o poder público assumir essa posição. O país tem uma parceria com a Argentina em que manda carro e televisão para lá e recolhe de lá o trigo, que é o jeito que a Argentina tem para pagar. Essa relação de troca acaba por atrapalhar o desenvolvimento da cultura aqui no Brasil”, observa o pesquisador.
Devido a essa parceria comercial, cerca de 75% do trigo importado pelo Brasil vem da Argentina.









