O atraso no plantio da soja devido à falta de chuvas em setembro não afetou o prazo final para a semeadura do grão em Mato Grosso. O trabalho nos campos se acelerou nessa última semana e a semeadura alcançou 98,47% das áreas do estado, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Em contrapartida, a demora registrada no início da semeadura deve afetar a produtividade da soja nos campos. Estima-se uma produtividade de 58,03 sacas por hectares, resultado 1,81% abaixo da última temporada.
Ao atingir 98,47% de semeadura no dia 20 de novembro – dos 10,30 milhões de hectares previstos para a safra 2020/21 – o esforço extra dos sojicultores fez com o resultado para o período ficasse acima do ano passado e da média dos últimos cinco anos (95,85%). Conforme o Imea, a aceleração da semeadura foi possível graças aos maiores volumes de chuva e ao preparo do produtor, principalmente quanto ao parque de máquinas e mão de obra da fazenda. Porém, a produção ainda pode ser comprometida pelas intercorrências do tempo.
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“Conseguimos atingir esse resultado porque temos que encerrar esse plantio. O plantio atrasou no período ideal, entre final de outubro e novembro, para que pudéssemos fazê-lo com auxílio das máquinas e tecnologia. Agora, ele está até antecipado em comparação a outros anos, mas isso não significa que teremos uma boa produtividade”, explica o sojicultor Antônio Galvan, presidente da Associação de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT).
Para se ter uma boa produtividade por hectare plantado, segundo o produtor, é necessário que os grãos sejam semeados ainda em outubro. Entretanto, a falta de umidade no solo prejudicou os trabalhos.
“Estar adiantado no plantio não é garantia de que teremos boa safra. O atraso no plantio pode acarretar baixa produtividade no campo, cujo período ideal é até o dia 20 de outubro. Esse costuma ser o momento em que se tem maior produtividade com o plantio, mas ele foi perdido na maior parte do estado”, justifica Antônio Galvan.
A concentração da semeadura em um curto período também pode ser um problema na hora da colheita, já que a janela de oportunidade para colher também fica menor. Caso ocorra um alto volume de chuva na época da colheita, as operações de campo e a qualidade do grão podem ser comprometidas.
Apesar das intercorrências, a produção esperada para a temporada 2020/21 da soja continua em 35,87 milhões de toneladas, de acordo a 5ª estimativa do Imea, do mês de novembro. O valor está 1,31% acima da safra 19/20.
SEGUNDA SAFRA
Não é novidade para o produtor que o atraso da soja impacta as culturas seguintes. Porém, a depender de qual cultivo – milho ou algodão –, os impactos têm pesos diferentes. Já é certo que o cultivo do algodão está comprometido, já que o plantio deve ocorrer até o início de fevereiro, e irá se chocar com a colheita da soja.
“No caso do algodão, ele tem que ser plantado até o início de fevereiro para garantir a produção. Já o milho, não, pois ele tem um ciclo mais curto que o do algodão e pode ser plantado até dia 20 de fevereiro. Porém, de qualquer forma, vai atrasar muito o plantio da segunda safra”, alerta Galvan.













