A morte de um ente querido é algo bem difícil de lidar emocionalmente. E neste ano, em particular, já que muitas pessoas perderam parentes e amigos para a covid-19. O tradicional velório, momento de despedida, não foi realizado afim de evitar o contágio de pessoas. A soma desses sentimentos torna o processo ainda mais delicado.
Assim, este 2 de novembro, Dia de Finados, quando milhares de pessoas vão aos cemitérios para prestar homenagens a parentes e amigos já falecidos, também será diferente. Começando pela suspensão das celebrações religiosas nas áreas internas e externas nos cemitérios de Cuiabá. A decisão foi tomada pela prefeitura a fim de evitar aglomerações durante o período de pandemia causado pelo coronavírus.
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Em média, 85 mil pessoas costumam ir aos cemitérios nesta data para prestar homenagens. Na capital, os cemitérios estarão em funcionamento no período das 6h30 às 18h, sem fechamento no horário de almoço. Na entrada de cada cemitério um colaborador ajudará na higienização dos visitantes com álcool 70%, e o uso de máscaras é obrigatório.
Com todo esse processo, o questionamento de como lidar com a perda pela covid-19 surge e, em busca desta resposta, o Estadão Mato Grosso conversou a psicóloga clínica e terapeuta cognitiva comportamental Isolde Coimbra. Segundo ela, falar de luto, vivenciá-lo e entendê-lo é um processo difícil, mas inevitável.
“Todo processo de luto é difícil. Seja ele por rompimento de vínculos, perda de emprego, entre outros, porém quando se trata de uma pessoa que amamos, a dor é mais intensa, pois lidamos com várias questões emocionais e vivenciamos uma tristeza que não queremos. Por isso é importante entender que o luto não é superado, ele é vivenciado”, explica.
Segundo a psicóloga, é cultura do brasileiro visitar uma pessoa enlutada, prestar solidariedade e apoio, mas muitos não ajudam. “Não se pede para uma pessoa não chorar, ou deixar de falar da perda. Devemos na verdade incentivar que essa pessoa chore e fale, pois faz com que a elaboração do luto seja mais tranquila. Neste ano, fomos privados de nos despedirmos, já que não tivemos velórios como antes, então é essencial uma rede de apoio que a acolha de forma a ajudar enfrentar esse momento”.
A profissional cita processos que podem ajudar a lidar com o luto, como, por exemplo, escrever pensamentos, sentimentos, caso a pessoa não consiga falar sobre isso com alguém. “Faça um diário, coloque nele a raiva, a saudade, fale sobre sua tristeza; é uma técnica que usamos para ajudar a lidar com qualquer dor”.
Isolde lembra também que a rede de apoio é essencial nesses momentos. “Acolher a pessoa enlutada é importante. Deixe-a chorar, pergunte do que ela sente falta, não tente mudar de assunto, fale sobre os sentimentos dela; isso ajuda muito a elaborar o enfrentamento do luto. Reúna a família e lembre dos bons momentos, chorem juntos, escrevam cartas; é um ritual de passagem e precisa ser vivenciado”, explica.
Sobre os efeitos da covid-19, Isolde afirma que ainda não se tem uma resposta do quanto a situação irá afetar emocionalmente a população a longo prazo.
“Tudo que estamos vivendo gera um transtorno pós-traumático. Tivemos o ebola e outras pandemias, que deixaram transtornos na população, mas ainda não sabemos quanto à covid. O que posso dizer é que já estou atendendo pacientes com sequelas como pânico, depressão, ansiedade generalizada, além das consequências causadas nos que foram infectados”, contou.
Por fim a psicóloga afirma que buscar um psicólogo ou psiquiatra é importante, desde que a pessoa queira. “Ela precisa entender todo o processo e ter consciência de que não temos controle sobre a vida. Somos impotentes e não depende da gente uma pessoa estar viva ou morta. Coloque para fora chorando, compartilhando, vivenciando lembranças, e se precisar de ajuda profissional o procure, pois ele irá ajudará a elaborar melhor a dor e ter uma vida mais tranquila”, completou.









