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Brasil Sexta-feira, 13 de Outubro de 2023, 14:58 - A | A

Sexta-feira, 13 de Outubro de 2023, 14h:58 - A | A

CRIMINOSA DE JALECO

Estudante se passa por médica e receita medicações a duas crianças em hospital público

Suspeita teria tentado apagar informações de um celular

g1 Rio e TV Globo

Uma jovem de 26 anos que se passava por pediatra foi presa em flagrante na manhã desta sexta-feira (13) quando atendia e prescrevia no Hospital Municipal de Japeri, a antiga Policlínica Itália Franco, na Baixada Fluminense (veja acima).

De acordo com a direção da unidade, antes de ser abordada, Juliana Aguiar de Oliveira dos Santos havia prescrito medicações para um bebê de colo e uma criança de 7 anos.

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Ao g1, o médico e coronel-bombeiro Alex da Silva Busquet, diretor do hospital, afirmou que Juliana Aguiar já havia atuado na unidade outras duas vezes usando informações e o carimbo da médica Juliana Satim de Oliveira, pediatra verdadeira.

Busquet quer saber como a mulher conseguiu burlar o RH do hospital.

"Ela fez uma pesquisa no site do Cremerj [Conselho Regional de Medicina do RJ] e baixou a foto e o CRM de uma médica verdadeira. Na primeira vez, ela foi à unidade para dar um plantão noturno porque a profissional daquele dia estava doente. Nesse plantão, ela assinou e prescreveu medicações para crianças. Mas descobrimos que a verdadeira médica nunca havia ido ao local", informou o diretor.

Antes de ser descoberta, Juliana Aguiar deu plantão em agosto e na última terça-feira (10).

Em contato com a TV Globo, Juliana Satim, que tinha o carimbo usado por Juliana Aguiar, negou que conhecesse a falsa pediatra e informou que foi um colega que descobriu a fraude.

"Na terça-feira (10), por volta das 18h, eu recebi uma ligação, de um colega médico, que foi dar um plantão em Japeri, e a pessoa que passou o plantão para ele era uma médica identificada como Juliana Satim. Ele me conhece e achou estranho, mas ele quis falar comigo antes."

Juliana Aguiar disse que o colega sabia que ela não dava plantão na Baixada Fluminense desde a pandemia, mas ainda assim ligou para se certificar.

"Eu disse que não [estava dando plantão em Japeri] e que desconhecia essa pessoa. Fiquei assustada e revoltada. Ela estava usando o meu carimbo. Não a conheço, não sei o nome. Soube que ela deu um plantão no final de agosto, nesse dia [na terça] e hoje, que ela estava lá no mesmo hospital por 24 horas, onde foi descoberta", disse.

Cerco para o flagrante
A direção, então, armou um flagrante.

"Por conta disso, para mostrar que era uma falsa médica, falamos para ela que tinha um outro plantão durante o dia. Queríamos identificar a fraude para responsabilizá-la. E ela foi. Para comprovar a irregularidade, e caracterizar o exercício ilegal da profissão, ela teria que atender e medicar, o que foi feito", disse Busquet, que foi ex-secretário de Saúde do RJ.

"Entramos e ela confessou que usava o carimbo de uma outra médica e que, na verdade, é uma estudante do 6º período de medicina", detalhou.

A mulher é estudante da Universidade Iguaçu (Unig). Procurada, a instituição ainda não comentou.

Crianças passaram por reavaliação
Um pediatra da unidade reavaliou as duas crianças atendidas pela falsa médica, e os medicamentos prescritos pela mulher não foram ministrados nas crianças.

"Ela poderia ter matado uma criança", destacou o diretor do Hospital Municipal de Japeri.
Como ela já atendeu outra vez na unidade de saúde, Alex Busquet informou que todas as crianças que foram atendidas pela mulher serão reavaliadas.

"Estamos apurando todos os prontuários que ela fez [atendimento], para chamar as crianças para uma revisão", disse.

Segundo a direção do hospital, para não ser reconhecida, a mulher usava uma máscara N95.

"Após ser detida, ela tentou apagar informações do celular. O aparelho foi apreendido", contou Alex Busquet.

Segundo o diretor, temendo que a mulher tivesse uma rede de amigos em Japeri, a direção do hospital pediu apoio de policiais civis da 29ª DP (Madureira), e a suspeita, que não quis dar o nome verdadeiro durante a abordagem, foi levada da cidade da Baixada Fluminense até o bairro de Madureira. Mais de 60 quilômetros separam os dois locais.

Segundo a 29ª DP, a jovem foi autuada por exercício ilegal da profissão e falsidade ideológica. Caso condenada, as penas somadas ultrapassam 6 anos de prisão.

Agora, os investigadores querem saber se ela também exerceu a medicina de maneira irregular em outros hospitais.

A defesa de Juliana Aguiar de Oliveira dos Santos não foi encontrada. A mãe da estudante foi até a delegacia, mas não quis falar com a reportagem.

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