Um levantamento da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel) aponta que somente no primeiro semestre deste ano houve 421 registros de incêndio por sobrecarga elétrica no Brasil. E os dados mostram que o problema se repete ano após ano: em 2022, foram registrados 441 incêndios no mesmo período.
Fios inadequados podem provocar o superaquecimento e causar acidentes graves. Isso acontece porque parte deles é produzida com cobre misturado a outros metais, quando na verdade deveriam ter apenas cobre.
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O estado do Maranhão é um dos que têm números mais alarmantes. Segundo dados do Corpo de Bombeiros, em 80% dos incêndios em residências, as causas estão associadas a defeitos na instalação elétrica.
Por causa dos incêndios relacionados a fiações irregulares, fiscais do Instituto de Metrologia e Qualidade Industrial (Inmeq) do Maranhão têm feito vistorias constantes em lojas que vendem fiações elétricas em bairros de São Luís.
Enio Rodrigues, diretor-executivo do Sindicel (Sindicato da Indústria de Condutores Elétricos, Trefilação e Laminação de Metais Não-Ferrosos), explicou que a legislação de fios e cabos elétricos de baixa tensão homologados pelo Inmetro diz que os fios precisam suportar uma temperatura mínima.
"A cobertura dele não pode propagar as chamas e ela tem que suportar uma temperatura mínima de 90°C. E o que a gente percebe é que quando submetidos esses cabos a essa temperatura, eles derretem e o alumínio derrete pegando fogo", argumentou.
O Inmeq faz um teste com dois tipos de fios:
O fio original é feito só de cobre, e o falsificado tem muito alumínio e outros materiais misturados. No falsificado, o fogo se alastra facilmente. No original, que obedece às normas do Inmetro, o fogo não dura muito;
Em outro teste, o fio irregular é mais leve e aquece três vezes mais do que o fio original, além do consumo de energia ser maior. Já quando o fio é raspado por uma faca, o cobre desaparece e aparece o alumínio.
"Fio falsificado é quase 50% mais barato que o verdadeiro e é disso que o comércio está se valendo, de grandes promoções para empurrar esse material totalmente fora dos padrões, que não tem condição de ser utilizado", explicou Zóis Gantzias, diretor-técnico do Inmeq-MA.









