O Centro Tecnológico Parecis (CTECNO Parecis) completou 10 anos de atuação voltada à pesquisa aplicada no campo e celebrou a trajetória com um evento realizado no dia 15 de janeiro, em Campo Novo do Parecis. Mantido pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), em parceria com o Instituto Mato-grossense de Agronegócio (Iagro MT), o centro conta com uma área de 86 hectares e é referência nacional em pesquisas voltadas ao manejo de solos arenosos e de textura média.
A programação reuniu mais de 470 participantes, dentre eles, produtores rurais, técnicos e pesquisadores, além de palestras com nomes de destaque nacional, como o biólogo e apresentador Richard Rasmussen, que trouxe reflexões sobre sustentabilidade, preservação ambiental e a relação do agro com o meio ambiente, e o produtor rural e ex-ministro da Agricultura, Antônio Cabrera, que ministrou uma palestra abordando a importância da pesquisa para o desenvolvimento do agronegócio brasileiro. Os participantes também puderam visitar as áreas experimentais da estação de pesquisa, onde são desenvolvidos estudos de longo prazo que simulam a realidade das propriedades rurais da região.
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Segundo a engenheira agrônoma e pesquisadora em solos da Aprosoja MT/Iagro, Daniela B. Facco, um dos grandes diferenciais da estação é o foco em solos arenosos, que representam um desafio crescente para a agricultura em Mato Grosso. Com menos de 15% de argila, esses solos têm menor capacidade de retenção de água e nutrientes, além de maior suscetibilidade à erosão. “São solos naturalmente pobres e mais frágeis. Por isso, a pesquisa aqui é fundamental para orientar o produtor a cultivar essas áreas de forma conservadora, sem degradar o solo”, afirma.
Atualmente, o CTECNO Parecis conduz entre 35 e 40 experimentos por ano, muitos deles com duração superior a oito anos e a repetição dos manejos ao longo do tempo é essencial para gerar segurança ao produtor.
Entre os principais resultados obtidos ao longo dos 10 anos, Daniela ressalta que práticas de conservação do solo têm apresentado os melhores desempenhos produtivos. “Hoje a gente vê manejos com diferença de até 20 sacas de soja por hectare apenas com a mudança da planta de cobertura", pontua.
As pesquisas também apontam caminhos para o uso mais eficiente de fertilizantes. Em alguns casos, produtores com níveis elevados de fósforo e potássio no solo conseguem reduzir ou até suspender a adubação desses nutrientes, desde que mantenham práticas como o uso de plantas de cobertura. Já nutrientes como o enxofre exigem manejo mais criterioso, por serem facilmente perdidos por lixiviação, especialmente em solos arenosos.
Para o presidente da Aprosoja MT, o trabalho contínuo do CTECNO Parecis é ainda mais relevante em um cenário de margens apertadas no campo. “Quanto mais antigo fica o centro de pesquisa, mais assertivos são os resultados, tudo isso faz com que o produtor seja mais preciso e mais assertivo nas suas operações, porque ele não pode se dar o luxo a perder mais do que os fatores que ele não pode controlar”, destacou.
Ele reforçou que o centro permite testar, errar e acertar antes de levar as soluções para as propriedades rurais. “Às vezes pagamos muito caro pela falta de conhecimento. Não é uma estatística isolada, são vários anos de dados que ajudam o produtor a tomar decisões mais acertadas”, concluiu.








